quarta-feira, 27 de julho de 2011

Momentos hilários da genialidade: Nietzsche


Certas coisas nas grandes personalidades da história me fazer regozijar e gargalhar, neste momento vou tomar apenas um exemplo: Nietzsche, hoje o cara é pop, lido e banalizado por qualquer um, porém vendo a foto acima fica evidente o retrato dele em seu tempo. Ao lado da mulher que tanto amava, mais por sua sabedoria que o encantava que meramente pela beleza, foi negado seu pedido de casamento pela bela Lou Andreas-Salomé, o que mostra que realmente era esperta a moça; também na foto se encontra Paul Rée, um rapaz que cativou Nietzsche de algumas formas. Paul namorava Salomé que teve um caso com Nietzsche que amava a ambos. Porém na foto, o filósofo alemão parece meio deslocado, o que eu achei hilário e levando em conta o contexto histórico poder-se-ia desenvolver várias teorias. A minha favorita vou revelar no final.

O cara era mesmo uma figura, analisando friamente, era um coitado, um rejeitado que dava pena, um sujeito de poucos amigos, quando possuía algum, dava um jeito de acabar com a amizade. Veja o caso Wagner, por inveja devido o cara ser músico (sonho frustrado de Nietzsche) e ser bonitão e se dar bem com as mulheres, acabou irritando o professor de filologia, fazendo a inveja fluiu numa crítica endoidecida, pondo fim à amizade.

Já com o moçoilo Paul Rée, foi o contrário, Nietzsche querendo um amigo, citando-o em seu livro, escrevendo em seu diário sobre o rapaz que, se ingrato ou possuidor de alguma verdade que o III Milênio desconhece, Rée acabou afirmando sobre o tão aclamado hoje possuidor de fama exclusivamente póstuma as seguintes palavras: "Nunca pude lê-lo. Ele é rico em espírito e pobre em idéias". "Todos fazem tudo por vaidade, mas a vaidade dele é patológica, irritantemente doentia. Ela o levou a produzir, quando são, grandes obras, de modo normal, já enquanto doente, podendo pensar e escrever com rara frequência, e temendo sobretudo não voltar a fazê-lo nunca mais, a todo custo queria conquistar a fama; sua vaidade doentia produziu algo doentio, muitas vezes brilhante e belo, mas essencialmente deformado, patológico e demente; não um filosofar, mas sim um delirar!"

Desenvolvi então uma teoria sobre a foto que muito me fez rir imaginando os personagens a executá-la. Nietzsche intrometido entrou na foto sem ser convidado, porém, como na época para a foto sair perfeita era necessário ficar imóvel, Salomé e Paul não puderam se manifestar, Nietzsche só queria uma foto com os amigos, enquanto eles queriam a lembrança de um casal enamorado.

Diego Marcell 27-07-11

O paradoxo do não-dualismo


Não sou dualista, sou paradoxal, tentei acreditar no dualismo, mas nunca consegui vivê-lo. Acredito na unidade do ser, acredito na coerência da criação, acredito que posso ser vários sem me contradizer, sem me negar, mas me completar no paradoxo da subjetividade.

Sou mais Jesus que Paulo, talvez mais Nietzsche que Platão, posso concordar e discordar sem padrão, sem a necessidade de se denominar qualquer coisa.

Não sou objetivo e não acho que devemos ser unanimes, acredito na biodiversidade e por isso também na diversidade intelectual.

Na verdade das opiniões verdadeiras e na vontade pura, sem concordar, concordar que exista livremente a necessidade de outros pontos de vista, crescer é mudar sem abdicar, continuar o mesmo sendo outro, a unidade do ser na variedade do ente.

Diego Marcell 26-07-11

terça-feira, 26 de julho de 2011

O que escolhi


Em nome da verdade eu sempre abandonei possibilidades, abdiquei de futuros garantidos, desprezei o que não me era natural; por tudo isso não ganhei nada prático, que me ajude, que me leve para amanhã, muito pelo contrário, adquiri uma solidão existencial que me acompanha em todo momento. Será que esta verdade é mentira? Será que meu ego me possui de tal forma que este Deus que se materializa na salvação dos escolhidos não pode me esconjurar? Se cresse nisso seria ateu.

Estou prestes a me vender, estou na porta do comércio, me abandonando para alimentar o físico, enquanto sufoco minha alma para respirar meu corpo, devo me lançar no ostracismo para ser alguém nessa sociedade vampiresca.

Não sobrou água no meu corpo, me angustio por um amanhã duvidoso, nesta angústia vejo o dia clarear e escurecer e permaneço estático, paralisado, envenenado pelo silêncio.

Tudo que digo não é ouvido, não sou interpretado e não existo, sou impedido de ir e proibido de voltar, só me querem à maneira deles, manequim industrial, ser não-pensante, de cortinas beges, sem barba e com gravata que nem precisa fazer nó. Não importa o que eu como, não importa o que eu sou. Só importa o que eu tenho e eu não tenho nada que eles possam ver.

Eu estou agarrado num fio de esperança que não suportará a brisa do amanhecer.

Diego Marcell 12-07-11

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Oração do encontro


Pai, Deus, Senhor, Criador
Jesus
Ser perfeito
Humano,
Que eu possa me encontrar
Que eu encontre uma religião pessoal
E no centro cósmico
Eu me descubra
Que eu tenha paz
Mansidão e sabedoria
Que eu tenha plenitude física
Para ler o mundo
Para ver os teus sinais
Ouvir a tua voz sem o ruído das nomenclaturas.
Que eu te sinta no meu dom
Que eu te veja em mim
Que eu siga puro no existir
Que eu mergulhe no seu mar
Me purifique numa cachoeira
Sacie a sede numa fonte.
Que a oração sempre seja esta cura
Que me faz te entender
E me conhecer.
Sopra a vida no meu barro
No meu concreto
Na minha alma.
Amém.

Diego Marcell 22-07-11

domingo, 24 de julho de 2011

Academicismo brasileiro ou Isto é Brasil


O academicismo está repleto de conhecimento, mas carente de sabedoria, sem novidade, sem incentivo à experiência, numa produção de réplicas cada vez com menos qualidade. Isto é o 3° mundo, isto é Brasil.

Um país regionalista que a sua tradição não sabe se colocar na atualidade, não sabe se renovar e o que causa este confronto de uma cultura ultrapassada tomada pelo que é moderno – a cópia do exterior – como corpo estranho enxertado para fingir para si mesmo que esta voz que fala é original, mas não é, é eco tímido da criação alheia com pitada descarada desse arcaico ser regional do fim do século XIX e início do século XX.

Com exceção de alguns que tiveram pensamento universal dentro do país como Leonardo Boff na teologia, Marina Silva na política, Niemayer na arquitetura, os Gracie nas artes marciais, CSS na música, Glauber Rocha no cinema, Paulo Freire na educação e alguns outros, mas na amplitude da análise o Brasil não existe neste início de século XXI. Existe uma globalização que precisa avistar o Brasil para dizer para si mesmo que ali ele está, quando Stallone vem explorar sua excentricidade, quando a Gisele faz um “paz e amor” para a câmera ou quando um brasileiro faz um gol bonito, mas um país artístico, intelectual ou cultural não existe por aqui. Uma sólida produção que fomente o surgimento do pensamento destacável é impossível, pois para se conseguir alguma coisa é preciso elaborar projetos detalhados para os editais burocráticos do governo que prioriza nomes de peso, reconhecidos e de carreira mais do que feita, para se conseguir algo neste país se deve estar maduro, quase podre, muitas vezes podre, e aí acontece o desperdício, aqueles que estão prestes a ficarem no ponto da colheita são esquecidos por esta tradição arcaica de interesses políticos.

Diego Marcell 25-04-11

sábado, 23 de julho de 2011

Sala 101


Toda liberdade foi extinguida.

Saber nada é o que eles querem que você saiba, muita informação sem sentido, sem conexão para você saber tudo de nada.

Eles vendem um futuro para quem não teve passado e não tem presente, a vida é passagem, mas isto deve ser apagado da “realidade”.

Hoje a estética foi corrompida, estética, amor e liberdade é o que importa, mas os três foram extinguidos, apesar de suas falsificações estarem na mídia ditando moda...

Diego Marcell 22-04-11

sexta-feira, 22 de julho de 2011

F-ERROR


Será que passo
No ultimo dia
Com pouca euforia
No que faço?

Vozes fora do luxo
Concreto que derrete
Estou a fim de um croquete

Rouco posso atuar
Como quem não sabe entrar
No furacão do seu bucho.

Diego Marcell 19-03-11

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Velho amanhã


Velho
Me jogo
No tempo
No brilho
De quem tem juventude

Velho
Passo sem ver
Sem perceber
Querendo
Mas não sabendo
Sem atitude

Passivo convivo
Enferrujo
Meu marujo enjoado
Sem bóia
Em alto-mar
A sombra ilude.

Diego Marcell 19-03-2011

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Curitiba Street Music

BAZINGA!

Esvaiu


Tudo se esvaiu
Lançado num plano perfeito,
Só quando sinto o cheiro da cidade
Posso lembrar,
Do que era viver lá.
Talvez ele já não exista
Este “eu” não existe mais,
Preso numa máquina do tempo,
Sou outro vivam,
Mais ácido, mais fermentado,
Mais erudito,
Menos inédito,
Mais imperfeito,
O mesmo covarde de sempre,
Ou tão verdadeiro que não saiba
Me assumir fora de mim e
Por isso me assuma um
Completo inapto ao que não sou.

Diego Marcell 19-03-2011

terça-feira, 19 de julho de 2011

Não-matéria na matéria


Deus está fora da matéria, mas sua onisciência nos mantém, agindo na matéria, pela matéria, para a matéria, na alma das coisas (vento, água, gás, etc) e no espírito das criaturas (seres humanos e animais), seu controle assim se manifesta e seu poder invisível se evidencia.

Sendo o natural da natureza ele põe em ordem o que a matéria é incapaz de fazer por conta própria, já que por conta própria a matéria é impotente, seria o pó acumulado num canto vazio da não-existência.

Mesmo sem interferir na liberdade dos seres, Ele consegue romper qualquer razão não Divina a respeito do dualismo e da ilimitação e da perfeição dos seus atributos e designos.

Diego Marcell 16-03-2011

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Inventando uma religião para limitar Deus


Sempre que apresentam um cristianismo cheio de esquemas e cálculos e suposições, e acabam o igualando as infinitas religiões existentes no planeta e espalhadas pelas eras, eu me decepciono com o mesmo; sempre que o cristianismo se assemelha a um filme Hollywoodiano, a histórias secretas, a planos revelados e toda essa elaboração de mistérios de dimensões paralelas, eu acabo por desacreditar. Este Deus que parte de conjecturas humanas, de esquemas muito exagerados para um Deus tão superior, que creio eu, não precisaria de tantos artifícios para executar sua obra que se baseia na naturalidade da sua divindade, algo que foge da nossa compreensão e, portanto superior a qualquer tentativa de leitura da mesma.

Deus não precisa limitar-se a regras cingidas de não sei onde e porque motivo para realizar aquilo que deseja.

Por serem seus designos impróprios a nossa capacidade, não tem sentido criarmos a partir da nossa compreensão conceitos para as coisas de Deus.

Diego Marcell 12-03-11

sábado, 16 de julho de 2011

Negação


Geralmente um louco, anti-social, que fala sozinho por não ter amigos suficientes para ouvir suas estranhezas vindas das entranhas do ostracismo; este não pode com uma família comum.

A melancolia é sua alegria, como um surfista gótico que renuncia uma valsa por ser hipocrisia dançá-la.

Por ser um pensador, um questionador do cosmos, não suporta os clichês intelectuais e prefere assistir aqueles seriados para rir que para pensar, mesmo porque consegue arrancar do lixo da banalidade, mais conteúdo filosófico do que de professores cheios de academicismos.

Talvez por isso prefira flertar com o erro, que consentir com aqueles que passaram pela vida sem relevância, mesmo que ache errado o que faz e culpar-se por isso que é a única coisa que não consegue esforçar-se para realizar, porque não sabe ser outro personagem, a realidade é crua demais para negá-la em outra versão. Sentir pena é sua forma de compaixão que se materializa em soluções filosóficas para a vida e só talvez por medo da fome e do abandono total não seja ele mesmo por completo em sua exótica personalidade de repelir o que não faz sentido para a sua reflexão.

Diego Marcell 06-03-2011

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