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sábado, 15 de outubro de 2011
terça-feira, 26 de julho de 2011
O que escolhi
Em nome da verdade eu sempre abandonei possibilidades, abdiquei de futuros garantidos, desprezei o que não me era natural; por tudo isso não ganhei nada prático, que me ajude, que me leve para amanhã, muito pelo contrário, adquiri uma solidão existencial que me acompanha em todo momento. Será que esta verdade é mentira? Será que meu ego me possui de tal forma que este Deus que se materializa na salvação dos escolhidos não pode me esconjurar? Se cresse nisso seria ateu.
Estou prestes a me vender, estou na porta do comércio, me abandonando para alimentar o físico, enquanto sufoco minha alma para respirar meu corpo, devo me lançar no ostracismo para ser alguém nessa sociedade vampiresca.
Não sobrou água no meu corpo, me angustio por um amanhã duvidoso, nesta angústia vejo o dia clarear e escurecer e permaneço estático, paralisado, envenenado pelo silêncio.
Tudo que digo não é ouvido, não sou interpretado e não existo, sou impedido de ir e proibido de voltar, só me querem à maneira deles, manequim industrial, ser não-pensante, de cortinas beges, sem barba e com gravata que nem precisa fazer nó. Não importa o que eu como, não importa o que eu sou. Só importa o que eu tenho e eu não tenho nada que eles possam ver.
Eu estou agarrado num fio de esperança que não suportará a brisa do amanhecer.
sábado, 16 de julho de 2011
Negação

Geralmente um louco, anti-social, que fala sozinho por não ter amigos suficientes para ouvir suas estranhezas vindas das entranhas do ostracismo; este não pode com uma família comum.
A melancolia é sua alegria, como um surfista gótico que renuncia uma valsa por ser hipocrisia dançá-la.
Por ser um pensador, um questionador do cosmos, não suporta os clichês intelectuais e prefere assistir aqueles seriados para rir que para pensar, mesmo porque consegue arrancar do lixo da banalidade, mais conteúdo filosófico do que de professores cheios de academicismos.
Talvez por isso prefira flertar com o erro, que consentir com aqueles que passaram pela vida sem relevância, mesmo que ache errado o que faz e culpar-se por isso que é a única coisa que não consegue esforçar-se para realizar, porque não sabe ser outro personagem, a realidade é crua demais para negá-la em outra versão. Sentir pena é sua forma de compaixão que se materializa em soluções filosóficas para a vida e só talvez por medo da fome e do abandono total não seja ele mesmo por completo em sua exótica personalidade de repelir o que não faz sentido para a sua reflexão.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Cada qual no seu canto, cada canto uma dor ou Ninguém tem o que falar !

Como é bom se afundar no vazio, mas só por alguns instantes! Eu cansei das pessoas, cansei do mundo, de todo mundo, menos de você; queria que você se jogasse aqui, me beijando, como de fato fez; porque o resto ta igual, sempre igual, não pretende mutar, mudar, daqui a um ano, ou a um ano atrás estão sempre iguais, não querem crescer, aprender, morrem com o mesmo papo, o mesmo farrapo de trapo e o bafo sempre igual, por isso que eu cansei de tudo, de todos, menos de você e dos filmes antigos, os da França, até da esperança já cansei, até de tentar dormir, repetir o café, o mesmo passo de balé, o mesmo horário de almoço, só não canso do seu pescoço, que me causa alvoroço, só não me canso do seu pescoço que me causa torcicolo.
Que o medo que me causa a cópia dos nossos personagens não se torne independente daquelas mentes sem personalidade que só podem em vida nos imitar (tentar); que elas achem outro sentido para o seu “panis et circensis” , ou então outros personagens com mais emoção que os nossos simples amantes eternos felizes e simples, simplesmente nós, em nosso mundinho sem eles, sem incomodo, o incomodo só vem de fora, num semi-circulo, ângulo sem visão, sem noção que contamina a platéia que tenta ver um show secreto, pois somos tão discretos, ou não? Mas e daí, ninguém foi convidado pra nossa festa pobre feita para nos empobrecer, somente a nós; e essas copias fajutas que descansem em paz nos seus próprios sofás.
Diego Marcell 20/08/06
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Ciclos

As festas contemplam o ciclo!
A um ano no Cine Luz; simbolismo efêmero no reprodutor de eternidades. Banho de decadência e glamour, amigos meus e seus agora banhando as roupas de vinho, de cerveja e gordura de frango, saciar a fome na madrugada com frango; nos moldurando de arte. Assuntos vagos dissipados na noite, imagens eternas gravadas em nossa vida.
Ficar velho, ser velho, com cabeça jovem ou jovem com ensinamentos passados de geração; nada disso notado, que nada se dissolva; é bom envelhecer, é bom viver, é bom amar, o sangue na guerra ama regando o amanhã. Se hoje aquelas pessoas de um ano atrás não estão aqui, nós também não estamos lá, tudo muda e melhora, repetir jamais, lembrar daquele momento bucólico que acabou de passar já é eternizar a alegria, é engrandecer a vida.
“e meu amigo não esquente a cabeça, que a vida não é tão difícil como parece ser...”
Se não me fragmenta a memória e com alguma ajuda, acho que é seu aniversário. Parabéns! (ao melhor guitarrista da Dogma85).
Diego Marcell 05/08/06
domingo, 10 de julho de 2011
Imaginação

A impossibilidade de tocar a sua imaginação é a pior sensação do mundo; você se sente pouco, nada, se sente inútil, fica louco, ou pelo menos tem vontade de ficar, para fugir e não precisar mais, nem querer usar sua imaginação. Pois a idéia brilhante ou não; mas de qualquer forma só é idéia se mostrada, do contrário não passa de desejo reprimido, aquilo que vai destruir, o que reprime se acaba, se dilacera, derrete como ácido o interior.
Eu pareço uma gelatina, eu pareço uma caverna, eu sou ou estou em uma, meus braços de tijolos querem destruir minha imaginação para que o resto do corpo pare de sofrer essa degradação, os nervos e as veias dilatam, os olhos e o sangue fervem, os dedos se contorcem como a boca, a língua e os próprios tijolos, ossos, destroços humanos que não servem para nada, já que seguram a imaginação nessa gaiola de pedra, já que matam essa no escuro de uma solitária, não à deixam nem pegar sol uma vez a cada sei lá que tempo.
Estou vivendo o mundo de um homem só. Cercado de cor até quando eu não sei; às vezes ele cansa e quer ser preto e branco ou comum como a tevê, mas aí ele prefere morrer pra tudo, de vez, em vez de ser programado, prefere dês-programar. O arco-íris de uma vida ainda há de aparecer. A imaginação ainda há de virar idéia.
Diego Marcell 2006
sábado, 9 de julho de 2011
Abissal

Desde a tenra infância toda forma de poder que implica naquela abside teatral infeccionada, não permitindo novos ares.
Não existe um pé de coerência e não haverá nem um andaime de caráter quanto a essa construção para que ela lhe sirva, e ou, ao próximo. Há uma anisopia secular de massas, com massas, quanto às massas; há gêneros incabíveis, há preconceitos inadmissíveis num cérebro normal, para um.
Evolução ínfima. A tecnologia é a mentira humana. É só um égotrip. É o espelho, espelho meu, existe... bláblábláblá. É o poder da criação sem motivo; é ainda a falta de explicação. O arranha-céu que sobe, é a declive moral. Cada número é uma crise existencial. A indústria fabrica amor descartável. A implosão da terra. Pólo abissal de residência, não haverá resistência. Pólo lucrativo, lucrando o que? Pólo de busca. Busca pé !? O mundo é abissal. A cratera no sol. A cratera, o câncer. A galáxia é uma marca. O mundo é abissal. O futuro está em nossas casas ( já ). E não há inicio. Só o inicio do fim, que já começou. Então só há fim. O mundo foi arrendado, e o preço que eles pagam é caro de mais, estão afundando no próprio esquema. Eles acreditaram no que não tinham. Mas ainda neste segundo, eles estão lá, acabando com tudo.
Não haverá revolução! No entanto, a evolução é abissal.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Catarse

Às vezes a oração, o dialogo com alguém especial e alguns momentos da vida são uma catarse para nos colocar em ordem, ou nos tirar a ordem, nos por do avesso; como uma dor na alma, como sonhos mortos e desejos reprimidos, fugir é tentar se libertar das vozes da razão que lhe cutucam deixando o corpo pintado de hematomas.
Como Deus resolve direcionar suas causas não nos compete saber, mas escolhemos a direção que nos faz menos racionais para termos desculpas para dar quando nos afogam em latões de água.
A vida social parece não querer ambigüidades e só percebemos quando queremos ser o hibrido numa situação onde tudo é definido com exatidão. Exatidão que sufoca o poeta que se vê entrelaçado de sentimentos e tem que calar porque seus hematomas doem.
Sem fôlego para correr e sem adrenalina para nos alimentar, assim morremos do mesmo jeito que tentaram matar Deus. Porém, não somos tão fortes como o antigo alvo da sociedade, se Deus se reinventa, deve Ele nos ressuscitar após cada tijolo arremessado nas mulheres do oriente médio, Ele deve nos sustentar após cada seca e fome dos meninos da África, Ele deve nos levar num plano perfeito, numa hora marcada pelos relógios da natureza e nos fazer colher sonhos de um jardim tão ameaçado e desmatado que é este que aí está. Lá compreenderemos será, algum dia, a reinterpretar o que nos deram?
quarta-feira, 6 de julho de 2011
O porta jóias, O porta malas, O...

Eu guardo entre mãos, calor de noites explícitas, razões de histórias epífitas, agora sem o menor valor. Guardo jóias enferrujadas, ensino de escola, beijos sem gosto, brincadeiras sem alma que pintam o chão de cores tristes, mas que por algum motivo guardo sem intenção. Também guardo o inolvidável que ainda não entendo, talvez por isso haja a necessidade dessa histoplasia fictícia ainda, ou não; para ser real, ou não.
Eu guardo laços, eu desato.
Eu guardo novidades antigas, eu levo o futuro.
Quero saber me perder.
Já nas minhas perdas, foram boas, mas será que hoje elas me serviram? Será que a de hoje não me servirá amanhã? Será que dúvidas são respostas?
Será que eu guardo o que eu guardo no que eu guardo na hora de guardar o lixo, o trapo, as coroas, os países, os cenários?
No meu personagem o que importa é calar, então estou fugindo dele para escrever; não quero nunca esquecer de voltar, não quero nunca me esquecer lá também. Ou talvez sim.
Diego Marcell 20/10/06
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terça-feira, 5 de julho de 2011
Sobre: Eu.

Uma criança pra guerra não sei se seria minhoca pro tubarão, Jonas pra baleia, se sairia bem, ou não? Talvez eu ainda seja muito branco prá'quilo, talvez meus olhos sejam muito verdes prá'quela paisagem cinza, talvez meus cabelos sejam muito macios prá'quele gás carbônico, talvez meu sotaque seja muito sulista prá'quela importação nordestina. Não é me redimir com palavras, pra uma estrada triste e sem horizontes, que antes haviam, tudo parecia infinito, hoje tudo parece apenas um cenário que acaba ali, depois daquele arbusto.
Não é pensar de mais, é apenas pensar melhor, é apenas pensar; é apenas assumir meu novo país, meu novo gosto Havaí, deixe Recife, deixe a Amazônia para os índios, deixe o Pantanal pra Juma, deixe a Argentina, deixe Cuba, deixe Nova York, deixe Portugal e a África pros conservadores, agora me deixe aqui em Santa Catarina graça Curitiba, Rio de Janeiro de criança, me deixe escolher o presidente do Fluminense, me deixe escolher o elenco, me deixe o cinema vir até todos, me deixe sambar quieto no show de rock, me deixe amar, pois o amor é a corda que move o brinquedo, me deixe ter amigas, me deixe criticar, me deixe casar, me deixe mudar, pois aprendi novas coisas, me deixe crer em Jesus Cristo pra me salvar na minha eterna alegria, me deixe ser Diego Marcell sem mérito nem demérito, só me deixe.
Diego Marcell em 2007, em meio a escolhas.
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Algo em comum

Há uma ponte aérea que não sabemos onde dá. Insônia, pensamento, pesadelo, emprego, desemprego, insônia, inquietação; nós que somos obcecados pelo incrível sensor individual da própria usina, criação intensa, recursos zero.
Há uma ponte aérea que não sabemos aonde dá. Talvez caia sem lugar, ou talvez seja o nosso lugar, onde já deveríamos ter chego a muito tempo, ou talvez seja cedo ainda, nunca sabemos; o tempo é certo, irregular, mas certo talvez, talvez não.
Há um satélite nos ligando, nos desligando, nos lembrando, nos perdendo nesse imenso deserto psicodélico. Nesse imenso mar político de nossas almas. Dessa eterna insônia cheia de descargas elétricas; cheia de tudo, quando queremos nada; cheia de estações, quando só queremos uma cama; cheia de pesadelos, quando só queremos um sonho bobo; cheia de sonhos loucos, quando só queremos um pesadelo bobo.
Diego Marcell 28/10/06
sexta-feira, 1 de julho de 2011
A ilha

O mundo das dúvidas é o mais divertido; a complexidade do mistério me faz viajar, quanto mais se descobre, quanto mais se aprende, mais desconhecimento se obtém; é a infinidade que faz sonhar, como é bom saber que nada sei; se outros sabem menos, infelizmente eles sabem tudo (infelizmente principalmente pra eles, senhores e escravos de si).
Entrar sem compromisso nesse universo, é adquirir bagagem para ir mais longe (peso para afundar). Não me interesso nem um pouco pela objetividade, nem pelos intelectuais da objetividade (mesmo que muitas das vezes eles se achem os da subjetividade, idiotas da tal). O silencio tem as melhores respostas para nossa inquieta audição e o tempo é o melhor ponto para nossa vista sem direção!
Tire o foco do seu umbigo e se perca no horizonte turvo e cheio de miragens, só assim se achará em estradas estranhas que levam àquela estrela; e ali será só o começo dessa vida de descobertas.
Pôr isso me perco em certas breguices. Pequenos lugares podem ser labirintos maravilhosos, é só exercitar sua mente.
Diego Marcell 2006 (isso foi antes de ler Sócrates, Kant e Heidegger)
domingo, 5 de junho de 2011
Amizade seletiva
Hoje não sei se posso seguir o exemplo de Oswaldo Montenegro e fazer uma lista de grandes amigos, nem nas suas sub-divisões. Se pela idade avançada para suportar certas irresponsabilidades, ou muito jovem para ser nostálgico a este ponto.
Hoje descobri o sentido de uma frase batida de um amigo, ele diz que “cada vez as amizades vão ficando mais seletas”, mas esta seleção não é partidária como eu pensava, mas natural pela afinidade de um envolvimento que vai além do amor por certos amigos de outra “vibe”.
Hoje vejo nascer a amizade em raros seres, em alguns jamais vistos pessoalmente, mas que o espírito testifica uma amizade superior, apesar de ainda nem poder conceituar como tal. Outras onde algumas divergências são anuladas pela cumplicidade da vida que nos cerca, cultura e filosofia.
Em outros tempos éramos muitos, nos suportávamos apenas, éramos jovens, recém saídos da escola; hoje somos amigos postiços, amigos de amor e carinho, porém sem a cumplicidade de uma amizade que seja digna de amizade, de jantares, de palavras, de opiniões; nossas amizades que se arrastam pela obrigação das almas que continuam a dialogar apesar da distância. A esta rara amizade, quando poetas encontram poetas e por isso se amam e querem cada vez mais a profundeza dos mares por serem espécies raras de seres humanos; estranhos e indigestos, são seus gestos que se cruzam pela amizade digna de assim ser chamada e já não aquele sentimento de distante, carinhoso e insuportável habitar de quem pertence a outra espécie de humano, que se junta em bandos para suprirem a falta de conteúdo dos seus discursos repetitivos.
Um amigo nasce do cotidiano e se materializa na noite que se repete de forma diferente por várias vezes.
Revelar seu lado negro e ainda assim ser aceito é compartilhar de mesmas expectativas pela vida, fazendo da amizade um sentimento de união eterna para o hoje.
Diego Marcell 20-02-2011
domingo, 29 de maio de 2011
Nulo
Não tenho amigos para sorrir nas festas; não tenho uma banda de rock para mudar o mundo numa noite; não sou ator para fazer emocionar alguém, nem atleta para romper limites; não sou clérigo para dar conselhos, nem profeta para ser ouvido; o que faço eu aqui se toda minha obra é nula, é como cinza na vastidão do mundo, se não tem público por estar escondida, ou por mover de forma errada, ser então incompreendida?
Neste tempo fico velho, sem nada apreciar, aprisionando meu pensamento por ser incapaz de raciocinar.
Se há algo para mim, responda-me como se a emergência fosse acionada, como fizeste, mas esqueci, pois hoje me encontro aqui, no deserto em meio a cidade que me ronda, como se não existisse, me ignora e isso me assombra.
Privado do meu café, do meu vinho e do mar, parado, estático, abandonado e nulo, nem a solidão física me encontra mais, rodeado do velho pensamento que insiste em me sistematizar. O que fizeste de teus filósofos, de teus profetas, por quê me deixaste à deriva sob controle, para enlouquecer, num domingo sem futebol, sem amanhecer, para me contorcer em espiral em busca de você, na epifania da palavra que torno a recorrer?
segunda-feira, 16 de maio de 2011
A grandeza do homem

Eu vejo a fraqueza do ser humano
O rico na sua falência,
O forte na sua doença;
É tão triste
O seu silencio
A depressão destrói o mais sábio,
O mais forte,
O mais rico.
Os homens do mundo em seus sonhos quebrados
Inimigos do tempo e da lei
Buscam alento
E se perdem nos labirintos criados por eles.
É tão triste
Falar-lhes e não ouvem
Mostrar, mas não querem ver;
Estão certos, em seus abismos
Deslizam controlando seu descontrole
Até saírem de si.
É tão triste ver
Que suas fortalezas desabaram
Pareciam tão sólidas
No meio do concreto; moeda, sexo, diploma e respaldo
E agora os encontre no meio do pó! Não da para vasculhar!
Todos aqueles que riam e bebiam nas festas, estão agora como cachorro sem dono,
Com olhar perdido,
Até sinto vontade de jogar-lhes migalhas,
Mas de minha boca não saem palavras que sirvam para alguma coisa
Nem isso, nem aquilo;
Pois não falarei palavras minhas
Nem ditas por homem nenhum,
Porque também as minhas palavras
Não passam de pó.
Eu só queria
Puxar-lhes a alma
E salvá-los.
Mas não existem escolhas coletivas.
Diego Marcell 01-10-08
terça-feira, 10 de maio de 2011
Interpretando provérbios
De forma artística por escolha divina. (Pv 20.27)
Buscar sabedoria é carregar a cruz dos acomodados. (Pv 19.24)
É admitir que não sei e não sou nada, diante dos engravatados de voz grossa. (Pv 26.12)
É querer curar o íntimo, quando sua sombra não gera fé para o paralitico andar (afinal qual é o mais importante?) (Pv 26.7)
Diego Marcell 03-09-09
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quinta-feira, 5 de maio de 2011
Entrelados
Entre a realidade e a ficção, entre a sanidade e a loucura, tudo é real, o que dizer que não? Entre o sonho e o ato, entre a brincadeira e a briga, a lagrima que escorre do riso que se transforma em pranto e se mistura na face. O que importa e o que não? Como separar? Como saber? Como viver? Tudo não passa de vida e até o que parece não pertencer a ela só existe porque pertence, se brota e vem a existir no inconsciente, pertence a vida, mesmo que passível de morte, já que até o conceito flutua entre a vida e a morte, ou entre a vida e outro tipo de vida, ou entre a morte e outro tipo de morte.
Até o que é ilusão é real para o iludido. Como uma miragem pode não ser? Como a criação de quem dorme. Ou o pensamento daquele que fabrica imagens de retalhos e inventa histórias de colagens.
Entre o espírito e a carne como manter a mente sã? Mente pura que encontra uma dimensão espiritual para o bem do corpo. Ou mente fraca que encontra uma dimensão espiritual para a degradação do ser. Aludindo uma tricotomia do ser.
Diego Marcell 17-03-10
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quarta-feira, 4 de maio de 2011
O evangelho no homem

Enquanto buscamos no espírito, coisas do Espírito, não encontramos o que buscamos na consciência pelo Espírito.
Sem eu saber sistematicamente, academicamente ou teoricamente que seja, pelas reflexões, pela busca, pela verdade sem auto-favorecimento, pela humildade, pelo desprendimento e sim pela espiritualidade, eu obtive inconscientemente, recebi no mais intimo da minha alma, agregou-se a minha essência, o que com palavras não se pode exprimir, através da experiência particular que ocorre em cada individuo que se permite, uma promessa geral, já que o meio é individual, mas o fim é para todos. O que quando escrito incompreendido e quando sentido inexplicável.
Talvez por isto agora eu saiba o que realmente é um cristão, apesar de cada vez mais me distanciar de uma definição de qualquer coisa. Saber que o porquê decidi andar na contra-mão e não ter mais receio disso achando que estaria pecando. Sentir o que aqueles homens sentiam quando escreviam e lutavam contra as seitas que se levantavam.
Ter em você o evangelho é realmente não temer os homens, é enojar-se das linhas ditadoras de doutrinas e tampar os ouvidos ao soar das vozes “proféticas” que surgem aqui e acolá.
Apesar das dores profundas causadas por esse nado contra-corrente, eu escolho isto à ilusão dos outros.
Diego Marcell 10-03-10
Ontem terça feira no programa Provocações da TV cultura, vi Rubem Alves falando uma grande verdade. As igrejas excomungam ou queimam na fogueira não os moralmente pecaminosos, mas quem pensa diferente.
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terça-feira, 3 de maio de 2011
Sem discípulos

Quantas honras de homens são necessárias para te matar? Quantos agrados e quantas buscas não passam de ilusão? Cortaram uma de minhas azas, me mantêm aqui, entre o restolho da velha política religiosa, entre as grades sebosas da igreja evangélica e sua história de “homens de Deus”, mas aonde estão seus discípulos?
Tudo se inicia com uma pergunta e meu silêncio me corroe, eu preciso deixá-los, eu preciso falar, apesar de não querer, apesar de querer gritar.
Eu preciso de rostos sinceros e coloridos pela maquiagem new rave, eu preciso do cheiro estridente do gelo seco, eu preciso das mentes abertas dos adoradores.
Eu não preciso do mesmo banco, da mesma praça, do mesmo terno, do mesmo versículo.
Eu preciso de uma nova unção?
Nas escadas sentar para pensar, me humilhar diante de Ti, é tão bom contemplar as nuvens e os trovões, eu preciso da tua Verdade.
Pra que tantos departamentos sem influencia espiritual? Pra que tanta política eclesial se tudo não passa de papel e assinaturas?
Eu quero a comunhão. Repartir o pão. Apreciar o vinho. E sair leve, levado pelo vento para onde você quiser.
Provando mistérios, caminhos inéditos me atraem, apesar deles quererem me fazer esquecer, mas eles querem me sufocar, pensam saber o tempo, pensam saber de tudo, mas eles só sabem o que a religião assinou em seus tratados a quatro paredes, eles só sabem manipular.
Diego Marcell 21-02-10
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sábado, 30 de abril de 2011
Saberei?
Quando nada sabemos
Pensamos que somos inventores
Como se todos quisessem ser Adão
Pois ao descobrir a roda
Não sabe que já fizeram o avião.
Agora que sei um pouco de alguma coisa
Caminho triste por não saber quase nada
E ao descobrir que tudo que criei é bobagem ultrapassada
Ou cópia involuntária de algum estudioso.
Então minha opção é ser poeta
Que escreve bobagens abstratas
De sentimentos repetidos
Com estrutura de rimas baratas.
Quem sou eu para formular beleza no vazio?
Se não houver “eu”
Se não tiver um clichê original
Para chamar de “nosso”
Tudo é velharia
Lixo intelectual sem serventia
Ficaria lendo Sócrates todas as manhãs
Sem me preocupar com ninguém
Jogaria Nietzsche no lixo da minha concepção social/eclesiástica então
Para abraçar um belo café fresco numa cidade do interior do sul do Brasil.
Então me fecharia aqui,
Fazendo teatro de fantoches humanos para me divertir
E colocaria vídeos no youtube para me satisfazer
E escreveria orações para me redimir
E colocaria velhos textos sobre cinema na internet só para rir.
Talvez se Deus me permitisse ainda
Ter uma banda de hard-core para tocar
Para 5 pessoas numa tarde de sol.
O que será que aconteceria?
Uma nuvem nos cobriria?
Línguas estranhas nos falariam?
Não conseguiríamos ficar de pé?
Ou simplesmente alguém citaria alguma frase de efeito
Para dormirmos em paz?
Eu não sei.
Pois já não sou adivinho
Pois já não sou escritor
Já não sou cineasta, nem musico, nem ator
Posso me dar o prazer de dizer que não sou poeta?
Posso voltar a tomar xícaras de café a meia-noite?
Ah, quantos “ah´s” para aliviar.
Oh Senhor, faz do nada um Big Bang
Faz do pó um homem
Faz de um “eu” ninguém
Para eu aprender a ser alguém.
Deus abençoe aqueles que crêem.
Diego Marcell 13-04-10
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