Em 2011 o Instituto Pró-livro realizou a terceira edição da pesquisa de Ibope Inteligente Retratos da Leitura no Brasil, mostrando aspectos da leitura em nosso país que podem nos esclarecer um pouco o que as pessoas pensam sobre, de forma geral, o ambiente literário. A pesquisa foi realizada de acordo com a Probabilidade Proporcional ao Tamanho (PPT) das cidades, com a margem de erro máxima de apenas 1,4p.p.
Para 64% dos brasileiros ler bastante faz a pessoa vencer na vida, apesar disso, apenas 28% revelou gostar de ler no tempo livre, mesmo acreditando que ela é fonte de conhecimento para a vida, o brasileiro ainda opta pela tevê nas horas que lhe vagam.
No Brasil é considerado leitor quem leu um livro nos últimos três meses, mesmo que nos últimos 12 meses tenha feito alguma leitura ele não pode ser considerado, lembrando que quando falamos de livro, são livros tradicionais, livros digitais, livros em braile e apostilas, excluindo manuais, catálogos, folhetos, revistas, gibis e jornais.
Foi mostrado que as mulheres leem mais que os homens cerca de 15% e que os livros didáticos e a Bíblia ainda são os mais lidos. Os fatos que mais influenciam as pessoas a ler são 1° o tema (65%), 2° o título (30%) e 3° dicas de outras pessoas (29%). Os professores (45%) e as mães (43%) são as maiores influencias que instigaram o leitor. Percebe-se que há pouco costume de presentear outros com livros (8%), apesar disso 88% disseram que é uma importante influência para leitura ganhar livros.
A pesquisa também mostra que o maior acesso que o brasileiro tem aos livros é pela compra (48%), superando os empréstimos (30%) que na pesquisa realizada em 2007 aparecia em igualdade. As maiores motivações do leitor na hora de escolher onde comprar é em 1° lugar o preço mais barato (47%), 2° comodidade (33%), 3° variedade (29%) e 4° proximidade (28%); e a principal motivação para consumir livros é o prazer, gosto pela leitura (35%), isto converge numa nova forma de comercialização que é o comercio virtual (comodidade), um bom exemplo disso é o portal de sebos Livronauta que reúne mais de 3,5 milhões de livros usados (variedade) com até 80% de custo a baixo do valor de um novo (correspondendo a 47% do que se busca), sendo centenas de livrarias de todo país num só lugar (proximidade). Já as bibliotecas são vistas mais como ‘lugar para estudar’ (71%) e ‘lugar de pesquisa’ (61%), apenas 17% dos entrevistados veem a biblioteca como lugar para emprestar livros de literatura.
Outro fator que é tendência e vem num crescimento acelerado são os livros digitais, a pesquisa mostra que a maioria dos seus leitores possui ensino superior, em aproximadamente 9,5 milhões de usuários de livros digitais, a maioria (54%) tem gostado muito desta ferramenta, mas o número de consumidores que baixaram gratuitamente é de 62% contra 38% dos que pagaram pelo download. Quando perguntado sobre o mercado futuro entre livros impressos X livros digitais, 52% responderam que os livros impressos nunca vão deixar de serem publicados e irão conviver igualmente com os digitais.
O panorama geral indicou que as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste declaram serem leitores de livros indicados pela escola e livros lidos apenas parcialmente (este segundo aspecto mais Nordeste e Centro-Oeste). Já nas regiões Sul e Sudeste aumentaram aqueles que leem livros inteiros e por iniciativa própria.
Também mostrou um aspecto que já é recorrente, que quanto maior a escolaridade e o poder aquisitivo, maior é a penetração da leitura e a média de livros lidos nos últimos 3 meses. Baseado nestas informações vê-se que a saída tem uma questão primeira, a educação e esta vêm atreladas a questões sociais, não bastante ter acesso à escola, mas ter uma boa educação é fundamental para termos um país mais leitor, naturalmente buscador de cultura e conhecimento.
Diego Marcell
Publicado no Instituto humanitas unisinos
Mostrando postagens com marcador literatura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador literatura. Mostrar todas as postagens
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Leitura no Brasil
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Desculpa de brasileiro: o mercado de livros no Brasil!
Conversando com um amigo sobre o comércio brasileiro de livros, eis que eu escuto a seguinte resposta para uma pergunta sobre o porque não ler: “Livro no Brasil é uma coisa muito cara. Esses dias eu fui comprar um livro para minha filha e custava mais de R$70,00, um absurdo”. Diante dessa conjuntura, gostaria de expor algumas opções que poderão ajudar você a se tornar um bom leitor e garantir a economia que sempre sonhou.
Existem algumas empresas no mercado que já começaram a baratear os custos dos livros realizando a impressão das obras com um material mais econômico. As obras luxuosas não deixaram de ser produzidas porém, versões mais simples estão disponíveis nas livrarias, muitas vezes chegam a até 60% do preço mais barato que de uma edição mais elaborada. Está prática tem alimentado e muito o fluxo de livros no mercado brasileiro, fazendo com que mais pessoas tenham acesso a um material que, alguns anos atrás, seria praticamente impossível de ser adquirido devido seu poder aquisitivo.
Outra opção são os Sebos, que são livrarias que realizam o comércio de livros usados, fornecendo obras esgotadas, livros raros, obras autografadas e diversos outros exemplares por mais da metade do preço de um livro novo. Fora os inúmeros livros nas prateleiras, cada sebo possui uma política especial de compra/troca de livros, garantindo ao cliente créditos para adquirir outras obras no estabelecimento do livreiro. O hábito de comprar livros usados em um sebo é prazeroso para muitos leitores pois garante uma boa economia financeira e a descoberta de livros que sequer sabia-se da existência.
Estudos indicam que somente com a primeira opção (barateamento das edições), o brasileiro aumentou gradativamente o consumo de livros per capita saindo na frente das compras até mesmo do governo federal (geralmente o maior consumidor de livros). Apresentando alguns números: em 2010, o número de livros vendidos teve um crescimento de 13%; desde 2004, o livro teve uma queda nos preços de 34%; só no ano passado, as livrarias registraram um aumento nas vendas em mais de 40%. Não tem como negar que o comércio de livros está cada vez mais forte, procurando atender clientes como o meu amigo ali de cima.
Muitas vezes criamos barreiras sobre determinados assuntos que bloqueiam completamente nossa visão sobre um fato. Se o meu amigo procurasse maiores informações sobre onde comprar livros mais baratos – seja em livros, revistas, jornais, sites ou qualquer outro lugar que precisasse ler – talvez ele não bloqueasse a ideia e sua filha estaria lendo mais livros do que o de costume. Se a única saída para o desenvolvimento do ser humano é o estudo e a leitura, o que você está tentando fazer para que isso se torne possível? Pesquise, procure, garimpe! O mercado está se preparando para obter mais clientes e você pode se dar bem com isso. Tornar-se um consumidor de livros pode se tornar mais interessante do que você imagina.
Rafael é proprietario da Almeida Quadrinhos e Livros
FONTE Arteview
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Curiosidade: Primeiras bibliotecas no Brasil Imperial
Primeiras bibliotecas no Brasil Imperial
Em 1755, o terremoto de Lisboa destruira a Biblioteca Real Portuguesa. Logo, o rei D. José organizou então “La Ajuda”, movimento de compras e doações para a manutenção da biblioteca. Em 1805 D. Maria ordenou que, de todos os papéis impressos nas oficinas tipográficas, um exemplar deveria ser remetido a Biblioteca Real. A Biblioteca reuniaumais de 100 incunábulos e diversas primeiras edições portuguesas/espanholas,livros de horas iluminados, mapas, gravuras, etc. Todas as coleções foram encadernadas em marroquim vermelho, com detalhes dourados e o brasão de Portugal.
Pouco depois do terremoto, Diogo Barbosa Machado ofereceu uma doação de cinco mil volumes de diversos gêneros; seu acervo foi adquirido ao longo de sua vida de forma curiosa: ele recortava e encadernava tudo o que achava interessante. Informações fundamentais foram perdidas neste processo e como ele não seguia nenhum padrão para a encadernação, cada livro tinha a aparência de um amontoado de informações desconexas, porém muito valiosas.
A chegada das tropas de Napoleão precipitou a fuga da corte; não houve muito tempo para encaixotar tudo, mas por sorte conseguiram reunir muitos materiais que ajudou a administrar a nova sede. Chegaram salvos os arquivos das repartições públicas, a Biblioteca Real da Ajuda, os manuscritos da coroa e os do Infantado.
Uma vez organizada a corte, a biblioteca foi instalada no Hospital da Ordem Terceira do Carmo. A consulta era liberada somente aos estudiosos, sendo que em 1814 foi aberta ao público. Os dois primeiros bibliotecários foram: Frei Gregório José Viegas e o padre Joaquim Damásio, onde após independência, ambos voltaram para Portugal. Quando em 1825 Portugal reconhece a Independência, uma quantia é paga pelo bens portugueses deixados no Brasil e nesse valor foi incluído a biblioteca.
A biblioteca começou a enriquecer por meio do privilégio real, através de doações e de compras em leilões e alfarrábios, chegando rapidamente a 60.000 volumes. Era a maior biblioteca da América não só pela quantidade, mas também pela qualidade. Sabemos hoje que naquela época existiam outras bibliotecas no Brasil: Convento de São Bento, São Francisco, Real Academia Militar, Laboratório Químico-Prático, Academia Médico-Cirúrgica, Arquivo militar, Academia Real dos Guarda-Marinhas. Com a orientação destinada a educação da arte ensinada, o conteúdo destas bibliotecas se tornou muito completo, mas restrito somente a quem pertence-se a instituição. O conceito moderno de biblioteca pública somente desenvolveu-se com as ideias democráticas norte-americanas.
Em 1811, em Salvador, um rico senhor de engenho – Pedro Gomes Ferrão de Castelo Branco – conseguiu uma autorização real para fundar a primeira Biblioteca pública do Brasil, sendo administrada através dos ideais democráticos. A arrecadação de fundos, a doação de 3000 volumes e a permissão de uso da antiga livraria dos Jesuítas foi o que tornou possível a realização do projeto.
A inauguração ocorreu na sala do docel no palácio do governador, comemorando também a fundação da tipografia e lançamento da gazeta Idade d`Ouro. A biblioteca fez tanto sucesso que novos fundos eram necessários para manter o ambiente em atividade; foram feitas três loterias em beneficio da biblioteca. Infelizmente, o tempo foi inimigo da biblioteca; aos poucos, o projeto foi caindo no esquecimento e no abandono; a falta de cuidados com a manutenção e o empréstimo dos exemplares acabou diminuindo a qualidade e a quantidade do seu acervo.
Sobre o autor
Alejandro Rubio é amante de livros e trabalha em um sebo
Referências
MORAES, Rubens Borba de. Livros e Bibliotecas no Brasil Colonial
sábado, 8 de setembro de 2012
Tese literária dos 12%
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Preacher, a obra-prima de Garth Ennis e Steve Dillon
Um jovem padre se revolta com Deus e em toda crença que ele criou resolvendo pedir esclarecimentos do porque este mesmo Deus deixou com que a civilização chegasse ao ponto que chegou, passando por cima de qualquer um que fique no caminho dentre os dois, por mais bizarro que seja.
Este é um curtíssimo resumo sem palavrões (o que é muito difícil nos padrões de Preacher), sobre a saga do Reverendo Jesse Custer em busca do encontro com o Figurão do céu.
A Palavra:
De uma relação sexual entre um anjo e uma demônio (!!!), nasce o que é chamado de Genesis, um ser que teoricamente tem tanto os poderes de ambos os lados. O casal é morto pelas entidades celestiais e o filho aprisionado no céu. Este consegue se libertar e busca encontrar um mortal para poder usar seu corpo. Como a entidade é bastante poderosa, os anjos invocam o Santo dos Assassinos para encontrar Genesis e o mortal que ele "encarnou".
Após uma ressaca e com algumas lesões da noite anterior, o reverendo Jesse Custer vê sua igreja lotada, como nunca vira - por sinal - depois de ter contado algumas confissões em voz alta no bar local. Genesis percebe toda a insatisfação de Jesse sobre sua fé e "encarna" no padre, permanecendo em sua cabeça. O poder desta ligação, acaba destruindo a igreja e matando todos os fiéis, restando apenas J. Custer.
A Palavra:
De uma relação sexual entre um anjo e uma demônio (!!!), nasce o que é chamado de Genesis, um ser que teoricamente tem tanto os poderes de ambos os lados. O casal é morto pelas entidades celestiais e o filho aprisionado no céu. Este consegue se libertar e busca encontrar um mortal para poder usar seu corpo. Como a entidade é bastante poderosa, os anjos invocam o Santo dos Assassinos para encontrar Genesis e o mortal que ele "encarnou".
Após uma ressaca e com algumas lesões da noite anterior, o reverendo Jesse Custer vê sua igreja lotada, como nunca vira - por sinal - depois de ter contado algumas confissões em voz alta no bar local. Genesis percebe toda a insatisfação de Jesse sobre sua fé e "encarna" no padre, permanecendo em sua cabeça. O poder desta ligação, acaba destruindo a igreja e matando todos os fiéis, restando apenas J. Custer.
Nesse momento, há o encontro de J. Custer com sua ex namorada Tulipa, que está fugindo junto com o vampiro Cassidy (mas não um vampiro convencional, tipo Bela Lugosi, e sim um cara de calça jeans e camiseta branca). Ao mesmo tempo, policiais e o Santo dos Assassinos aparecem, levando Jesse a descobrir a Palavra, um "poder" vindo de Genesis, onde as pessoas fazem tudo, literalmente tudo, o que o reverendo diz.
Logo em seguida, Jesse convoca, com a “Palavra”, algum anjo para lhe esclarecer o que estava acontecendo e por que o Todo-poderoso não fez nada ainda. O anjo lhe fala que o Nosso Senhor largara o céu, foi embora, não queria mais saber de mandar nas coisas, e deixou tudo a esmo. Com isso, o reverendo se revolta e traça uma meta: encontrar Deus, pedir satisfações e, se conseguir, dar um chute na sua bunda gloriosa.
Várias acontecimentos bizarros marcam toda a história (66 volumes divididos em oito arcos, que por sinal, a editora Panini acaba de lançar pela primeira vez no Brasil o oitavo arco), como um departamento especial do Vaticano - que cuida da linhagem de Cristo (muito antes do Dan Brown) e vai atrás de J. Custer; detetives sexuais e a origem dos três personagens principais (Jesse, Tulipa e Cassady) e tantas outra insanidades.
Várias acontecimentos bizarros marcam toda a história (66 volumes divididos em oito arcos, que por sinal, a editora Panini acaba de lançar pela primeira vez no Brasil o oitavo arco), como um departamento especial do Vaticano - que cuida da linhagem de Cristo (muito antes do Dan Brown) e vai atrás de J. Custer; detetives sexuais e a origem dos três personagens principais (Jesse, Tulipa e Cassady) e tantas outra insanidades.
Personagens:
Além reverendo, todo o elenco do gibi é fantástico: sua ex namorada Tulipa (que Jesse larga sem motivo aparente, porém no desenrolar da história é revelado); Cassidy, um vampiro irlandês radicado nos EUA desde o começo do século XX. Estes dois aparecem de uma forma inusitada na história, ou melhor, com o tempo de leitura do gibi, você começa a pensar que não é tão inusitado assim... Juntos, e em alguns momentos separados, os personagens principais encontrarão figuras atípicas, insanas, bizarras.
Por que ler Preacher:
A história roterizada por Garth Ennis e desenhada por Steve Dillon é ótima do começo ao fim. Há muito humor negro; muitos personagens são insanos, e uma coisa bacana, não há super heróis, todos são humanos, com personalidades, seus lados bons e ruins; o trio (Jesse, Tulipa e Cassady) sempre estão num bar, num restaurante típico das estradas norte-americanas conversando futilidades entre os assuntos "sérios" (chutar a bunda de Deus).
A Editora Panini lançou em setembro de 2011 o ultimo arco da saga "Alamo", e pelo que ouvi falar, a pretensão da editora é relançar os antigos arcos, todos em formato de luxo, afinal, o Reverendo Jesse Custer merece. Com sorte, você poderá encontrar as edições mais antigas em algum sebo especializado em histórias em quadrinhos.
Sobre o autor
André Ramos trabalha em um Sebo de Curitiba e coleciona gibis desde 2000.
@livronauta
Fanpage Livronauta
www.livronauta.com.br
@livronauta
Fanpage Livronauta
www.livronauta.com.br
Fonte Quadrinho
domingo, 2 de setembro de 2012
Sebos e Livros Usados
Texto escrito por André Ferreira do Livronauta
Segundo dados do IBGE de 2008, o brasileiro lê em média 1,8 livros por ano (contra 4 na Colômbia e 15 na Suécia). São dois os fatores que contribuem para essa baixa taxa de leitura anual: o desinteresse cultural e o alto preço dos livros vendidos nas livrarias. Para aqueles que apreciam uma boa leitura, existe uma alternativa boa e barata: os sebos.
Os sebos são livrarias que vendem livros usados com preços mais baixos em relação as livrarias tradicionais. Ao contrário do que muitos pensam, pelo fato do livro já ter sido manuseado, podemos encontrar obras em boa qualidade e em ótimo estado de conservação. Diferentemente das livrarias tradicionais – que normalmente priorizam os best-sellers e lançamentos – os sebos possuem uma grande variedade de títulos, podendo encontrar diversas obras fora de publicação.
Como e quando surgiram as primeiras livrarias e sebos ?
As primeiras livrarias surgiram em meados do século XVI na Europa após o aperfeiçoamento da prensa móvel, onde o processo de cópia dos livros passou a ser mecânico e não mais manual, consequentemente aumentando o número de livros produzidos. Na França, por exemplo, os pioneiros foram os boquinistas, que até hoje vendem seus livros às margens do Rio Sena em Paris.
No Brasil, as livrarias demoraram a aparecer, somente por volta da metade do século XIX, quando
as primeiras máquinas de impressão chegaram no país.
as primeiras máquinas de impressão chegaram no país.
O aumento do número de livros circulando pelas cidades fez com que o comércio literário se tornasse uma necessidade para a população. Os colecionadores e curiosos apaixonados pelos livros que saíam à procura de antiguidades e raridades, acabaram incentivando um outro tipo de comércio ainda inexistente, o comércio de livros usados, conhecidos na época por alfarrábios na Europa. No Brasil, as lojas de livros usados são popularmente conhecidas por “sebo”.
O termo “alfarrábio” deriva do nome Al-Farabi, filósofo muçulmano que viveu entre 870 e 950 d.C. Por sua imensa biblioteca de textos antigos e com a reputação de grande leitor, Al-Farabi teve seu nome alterado e incorporado na língua portuguesa para denominar “livro usado”. Acredita-se que o termo “sebo” derive de quando ainda não existia energia elétrica e a leitura era realizada sob a luz de velas que respingavam vestígios de gordura nos livros.
Para saber mais
Copistas: heróis silenciosos da história dos livros
Copistas: heróis silenciosos da história dos livros
Fonte Livros e Pessoas
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Novelas de Cavalaria
Quem leu um dos maiores livros da história da humanidade jamais se esquecerá das loucas aventuras de Dom Quixote de la Mancha, seu pajem Sancho Panza e seu cavalo Rocinante contadas por Miguel de Cervantes Saavedra. O autor era apaixonado por novelas de cavalaria (consideradas os primeiros best sellers da humanidade), possuindo em sua biblioteca pessoal diversas obras como: Amadis de Gaula, Palmerin
de Oliva, Palmerin de Inglaterra, Olivante de Laura, Espelho de príncipes e cavaleiros,
Tablante de Ricamonte e Tirante o branco.
de Oliva, Palmerin de Inglaterra, Olivante de Laura, Espelho de príncipes e cavaleiros,
Tablante de Ricamonte e Tirante o branco.
As novelas da cavalaria eram derivadas de poemas épicos e das canções de gesta Francesas e Inglesas, provavelmente das lendas do rei Arthur e da Távola Redonda. Descreviam cavaleiros de sangue azul que nunca existiam, separados de seus pais na infância e com a missão de fazer justiça no mundo. Estes cavaleiros tinham ideais cristãos, ajudavam reis em desgraça, damas em apuros, libertavam prisioneiros injustiçados, e lutavam contra feras que só existiam na imaginação do autor.
Estes feitos eram apresentados como verdadeiros e chegaram a enganar muitas pessoas. Em pouco tempo, nobres, classe média alta, Santa Tereza, Inácio de Loyola e muitos conquistadores da América traçaram seus caminhos inspirados nas ideias loucas das novelas.
Cervantes, que já conhecia o mundo e era aficionado ao extremo pela leitura deste gênero, soube fazer uma crítica completa sobre o fenômeno narrando Quixote. Este mal conseguiu sair de La Mancha — sua terra — onde pouco depois voltou doente. Mais tarde recuperado, Quixote saiu novamente cada vez mais fora de si, pensando somente em ser igual a aqueles heróis, fiéis aos ideais, batendo sempre de frente com a realidade e dando um exemplo de que cada louco tem em si, o cerne da verdade. Na incansável busca pela justiça acaba perdendo sua saúde física e mental, porém cultivando seus ideais.
Ao lançar seu herói no mundo, Cervantes nos apresentou um filósofo, uma forma de ver que toda moeda tem duas caras, que toda reflexão pode ser válida de acordo com o contexto. Que qualquer bússola que coloquemos em nossa vida atua diretamente sobre o nosso presente. Ao longo da obra não fica claro se ele defendeu os ideais das novelas de cavalaria ou se as expôs ao ridículo, tamanha é a quantidade de situações hilárias e sem nexo com a realidade.
Como crítico literário e admirador desta arte, Cervantes chegou ao ponto mais alto neste gênero nascente: colaborar com a gênese do romance moderno. Fazendo a sátira das novelas de cavalaria, escreveu a mais humana, profunda e bonita de todas, marcando o fim do gênero com o seu melhor trabalho.
Sobre o autor
Alejandro Rubio trabalha em um sebo e é aficionado por novelas de cavalaria.
FONTE LENDO
terça-feira, 28 de agosto de 2012
O Cantar de Mio Sid
| Por André Ferreira |
O mais antigo poema épico, “O Cantar de Mio Sid“ chegou ate nós sendo lembrado de geração em geração por meio dos jograis ou menestréis que os interpretavam de acordo com a situação. Assim foram sendo modificados ao longo do tempo e o que temos hoje, é uma canção de gesta datada de 1207, transcrita no século XIV pelo copista Pedro Abád. O manuscrito está preservado junto a milhares de livros na biblioteca Nacional da Espanha onde foi recuperado porém, a primeira e mais duas páginas internas foram irremediavelmente perdidas.
O poema narra as façanhas do Cavaleiro Castelhano Rodrigo Díaz de Vivar, chamado de Campeador, El Cid ou Mio Cid, um personagem histórico espanhol nascido em 1043, que participou honrosamente na lutas contra os mouros invasores na Península Ibérica. Com o posto de governador de Valência, Rodrigo possuía tanto poder que não precisava de permissões do rei para governar.
O poema narra as façanhas do Cavaleiro Castelhano Rodrigo Díaz de Vivar, chamado de Campeador, El Cid ou Mio Cid, um personagem histórico espanhol nascido em 1043, que participou honrosamente na lutas contra os mouros invasores na Península Ibérica. Com o posto de governador de Valência, Rodrigo possuía tanto poder que não precisava de permissões do rei para governar.
A obra é dividida em 3 partes:
1a. parte – Cantar do desterro: acusado de roubo, Cid é desterrado de Castilha, abandona mulher e filhas para lutar contra os infiéis.
2a. parte – Cantar das bodas: uma vez reconquistada Valência, Cid é perdoado pelo rei e recupera seu senhorio. O rei pede que entregue a mão de suas filhas aos infantes de Carrion; embora desconfiado ele permite o casamento.
3a. parte – Afrenta de Corpes: as filhas são ultrajadas e abandonadas pelo maridos, ele vai a juízo contra eles e consegue que o rei tire do convívio real estes inimigos.
Na vida real, Cid morreu na cama de seu castelo em Valência, com a satisfação do dever cumprido e seu sangue circulando nas veias da monarquia castelhana. Foi sepultado ao lado de sua esposa, Jimena, nas terras da Catedral de Burgos. Sua obra ainda é admirada por muitos e é possível encontrá-la em sebos do munto todo.
FONTE INFO ESCOLA
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
E-reader vs. livro impresso
Diante da polêmica gerada no maior mercado de livros do mundo, EUA, onde gigantescas livrarias fecharam suas portas devido à impossibilidade de concorrerem com o livro digital, surge a dúvida: quais são as vantagens e desvantagens da nova mídia?
a) Portabilidade: sem dúvida, esta vantagem é muito clara e não merece extensão de comentários;
b) Disponibilidade de informações: hoje, qualquer tablet pesando menos de 200 gramas tem capacidade de armazenar mais títulos que a maior biblioteca do mundo, contando com a indexação das informações num formato muito superior ao das bibliotecas, onde somente a bibliotecária sabia onde o livro estava e quais as obras que abordavam determinado tema;
c) Segurança do arquivo: custo menor para aquisição de pacotes de livros em oferta, porém não havendo garantia de poder reinstalá-los em caso de perda de dados; ou seja, você vai ter que pagar de novo;
d) Impacto ecológico menor: opa! Aí chegamos em um ponto muito complicado e que vamos discutir abaixo. O livro de papel é muito menos poluente e impacta menos o meio ambiente que os livros digitais. Sim! É uma verdade.
Paisagens devastadas e poluídas
O livro em si não é tão poluente, mas sim, os produtos químicos que são usados na fabricação do papel. A madeira usada para a produção de papel não tem nada a ver com florestas a serem preservadas, visto que estas são de fibras curtas e não servem para papel, que precisa de fibras longas (basicamente pinus e eucalyptus). Sabemos que estas árvores são reflorestadas, apresentando um risco mínimo para o meio ambiente e sendo possível manter com facilidade a sustentabilidade ecológica.
O tablet é uma peça maravilhosa da engenharia moderna, mas é tão poluidor quanto qualquer computador (levando em conta que já tive 14 deles na minha vida). Muitos deles, após alguns anos vão parar na vala do lixo comum, gerando acúmulo de substancias tóxicas; remessas gigantescas são exportadas para a China, onde mulheres e crianças em condições sub-humanas de trabalho fazem o garimpo dos materiais nobres para queimar o resto.
Temos também uma quantidade sem fim de elementos químicos altamente poluentes que serão despejados no meio ambiente sem o menor critério. Sem contar com a contaminação das mineradoras, que tornam paisagens totalmente devastadas e poluídas, quase sempre em países do terceiro mundo, além de oferecerem situações degradantes aos empregados.
“Mero consumismo”
Para se construir um único computador, são utilizados cerca de 1.800 quilos de materiais dos mais diversos tipos, sendo que desse total, mil e quinhentos litros são de água, duzentos e quarenta de combustíveis fósseis e vinte e dois de outros produtos químicos. Ou seja, um tablet, infinitamente menor e com recursos tecnológicos de ponta, gasta mais recursos naturais do que construir uma motocicleta!
Produtos ecologicamente corretos não são os que estamos consumindo, visto que o alto custo inviabiliza a concorrência em um mercado onde o preço é cada vez menor. Se você tivesse que decidir entre comprar um aparelho menos agressivo ao meio ambiente por 3 mil reais ou um outro com materiais inferiores, por 500 reais a menos, nem perderia tempo em pensar. Aliás, esse não é um debate que a indústria da informática coloca em pauta, tornando público somente o que é importante para eles.
Proteger as árvores é uma questão puramente sentimental, sem o menor sentido ecológico, pois elas são um recurso renovável. O que devemos proteger são as florestas e as pessoas que habitam nosso planeta. Por isso, mesmo usando meu notebook utilizo as palavras de Philip Roth de que tudo não passa de “mero consumismo”, sendo que chegou para ficar entre nós. Aliás, qual será a próxima novidade emtablets? Daqui a seis meses iremos aposentar o nosso e partir para outro com melhor imagem, menor consumo e mais recursos...
Jobs e Macunaíma
Qual é a vantagem de ter todas as informações na mão sem pesquisar, sem criar caminhos lógicos no cérebro? Sem as sinapses geradas pelo raciocínio lógico, podemos contar com a involução do ser humano; a acomodação vai nos forçar a percorrer o caminho inverso ao que percorremos na história do animal humano. O engenho pode chegar a ser deixado de lado, visto que os programas computacionais vão resolver todos nossos problemas; o conhecimento vai ser substituído pela habilidade num jogo similar ao de um vídeo game. A criação artística e sua contemplação pode se perder em um maremoto de imagens, onde tudo parece igual, mera sequência de bytes.
Podem os meios magnéticos preservar a cultura? Se levarmos em conta que os vencedores sempre destruíram a cultura da civilização vencida e que 10.000 anos de tradições e conhecimentos foram enterrados em guerras, não resta dúvida de que não vai ter byte sobre byte daqui a algumas gerações. O crescimento exponencial da quantidade de informações e a necessidade de backups ainda maiores dá a certeza de que muita coisa vai se perder e que iremos sofrer a cada dia da mesma forma que muitos sofreram com a queimada de Alexandria (biblioteca).
Nossa cultura é de primeira linha? Depende do ponto de vista. Tenha em conta que o herói hoje é Steve Jobs, um marqueteiro inigualável, previsor do futuro com qualidade. Mas não foi mais que isso. Eu acho que prefiro Macunaíma, última linha da vida, mas muito humano e nacional. Não se fazem mais heróis como antigamente.
***
[Alejandro Francisco Rubio é livreiro há mais de 40 anos e tem um sebo em Curitiba]
Texto publicado no Observatorio da Imprensa
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
A CRIANÇA E O AMBIENTE DE LEITURA
O hábito da leitura é um tema importante na vida de uma criança porém, ainda é um assunto temido por muitos pais. Diversas pessoas procuram ajuda em muitos lugares mas acabam esquecendo que, para que tudo isso mude, o primeiro passo precisa ser dado dentro de casa.
.
Como você quer incentivar o seu filho a ler se os livros ficam encaixotados na dispensa de sua casa? Espalhe! Essa é uma boa regra. Coloque-os em todo lugar, na sala, no quarto, na cozinha, até mesmo no banheiro ou no carro. Comece a utilizar esse material como decoração e quem sabe mais pra frente, seu filho comece a se interessar e realizar uma simples leitura.
.
É triste, mas muitas pessoas ainda julgam um livro pela capa. Não deixe isso te desanimar; tome isso como uma tática a ser explorada na missão de influenciar o hábito de leitura do pequeno futuro leitor. Se o seu filho se interessa por coisas coloridas e grandes (o que a maioria das crianças preferem), procure comprar livros que chamem a atenção, com capas bem desenhadas, livros em auto-relevo, obras que serão notáveis ao estar em sua estante.
.
Tente manter os livros em lugares estratégicos; se possível, monte um ambiente em sua casa só para a leitura e faça com que a criança viva bons momentos neste lugar, criando assim um vínculo especial para ela. Estar ali vai se tornar algo prazeroso e ela sempre vai querer ficar perto dos livros. Dependendo da idade, procure saber mais sobre o que a criança gosta; contos de fada, histórias de mistério, cultura popular, folclore, etc. A leitura obrigatória não é tão prazerosa quanto a leitura espontânea. Quando for comprar livros, faça questão de levar o seu filho; escolha diversas obras de acordo com sua faixa etária e deixe que ele decida qual gostaria de ler desta vez.
.
Leia com seu filho! Participe das atividades que muitos livros proporcionam e garanto que da próxima vez, quem não vai querer sair tão cedo da livraria será ele!
.Sobre o autor
Rafael é graduado em História e é proprietário de um Sebo especializado em quadrinhos.
Texto publicado na Folha de Roraima
Rafael é graduado em História e é proprietário de um Sebo especializado em quadrinhos.
Texto publicado na Folha de Roraima
domingo, 12 de agosto de 2012
15 Livros inspirados por Dom Quixote, que talvez vocês não soubessem
Dom Quixote é considerado o maior livro de ficção já escrito, e ele me serve de fonte de inspiração e admiração de forma permanente. O que pouca gente sabe é que ele serviu de inspiração para muita gente e acabou deixando provas disso em obras importantes da literatura. Segue algumas delas:
1 - 1984, de George Orwell.
2 - Cardênio, obra atribuída à William Shakespeare e John Fletcher. Relata o encontro do personagem na Sierra Morena com Quixote e Sancho Panza.
3 - As aventuras do Barão de Munchausen, de Gottfried August Bürger.
4 - A novela do curioso impertinente, de Miguel de Cervantes.
5 - Meditações do Quixote, de José Ortega e Gasset.
6 - Cantos de vida e esperança, de Ruben Dario.
7 - Vida de Don Quijote e Sancho, de Miguel de Unamuno.
Além destas, temos estas outras obras, das quais não conheço a tradução para o português:
8 - Instrucciones para olvidar el Quijote, de Fernando Savater.
9 - Hamlet y el Quijote, de Ivan Turguenev.
10 - Rocinante, de Leon Felipe.
11 - Al morir don Quijote, de Andres Trapiello.12 - Las bodas de Camacho, de Juan melendez Valdez.13 - El hidalgo de la mancha, de Juan de Matos Fragoso.14 - Vida de Don Quijote y Sancho, de Miguel de Unamuno.15 - La vida golfa de don Quijote y Sancho, de Pedro Perdomo Azopardo.
Sobre o autor:
Assinar:
Postagens (Atom)
