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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Trechos extraídos do livro ‘A revolução do Cinema Novo’ de Glauber Rocha



Para fazer cinema é fundamentalmente necessário quatro coisas: amor, inteligência, sensibilidade e sobretudo insolência. (Miguel Torres)

            O primeiro filme independente de produção foi Rio, 40 graus (1955) de Nelson Pereira dos Santos, este filme foi influenciado pelo Neorrealismo, apesar de ser muito anterior ao ‘movimento’ do cinema novo, ele é um marco inicial neste conceito todo, sendo considerado pelos cinema novistas o primeiro filme brasileiro de fato.

Diferente dos intelectuais franceses, nós temos uma formação cultural muito confusa: lê-se primeiro os dadaístas, depois a tragédia grega. (p. 112)

            Os três primeiros filmes mais importantes do movimento são: Vidas secas, Deus e o diabo na terra do sol e Os fuzis. Foram feitos longas e curtas antes destes, mas que ainda não refletiam a satisfação estética dos autores.

Devemos refletir sobre a violência e não fazer um espetáculo com ela... o interessante não é a ação em si, mas o seu caráter simbólico. (p. 125 – sobre a violência usada no cinema, principalmente norte-americano)

            Uma grande turma entre cineastas e críticos espalhados por Rio, São Paulo, Bahia e alguns na Europa mantinham além das primeiras produções, muitos artigos em jornais e revistas, até que surge a expressão (que era nova apenas no Brasil) de Cinema Novo. A proposta era se desvencilhar do colonialismo norte americano, do modo industrial colonial que no Brasil dominava através dos grandes estúdios (Vera Cruz e Atlântida) com as suas chanchadas. A ideia do cinema de autor era além de criar argumentos condizentes a nossa realidade, produzir e também fazer a distribuição, ou seja, colocar todo o processo na mão do artista, por isso foi criada a Difilm, que era produtora e distribuidora do cinema novo.

            No inicio haviam os fortemente influenciados por Eisenstein como Glauber Rocha, Miguel Borges, Carlos Diegues, David E. Neves, Mario Carneiro, Leon Hirszman e Marcos Farias; e os que defendiam Bergman, Fellini e Rossellini que eram Paulo Saraceni e Joaquim Pedro de Andrade. Mas com o tempo a busca por uma linguagem latino-americana se firmava.

Gustavo Dahl disse que ‘nós não queremos saber de cinema. Queremos ouvir a voz do homem.’ Gustavo definiu nosso pensamento. Nós não queremos Eisenstein, Rossellini, Bergman, Fellini, John Ford, ninguém. Nosso cinema é novo não por causa da nossa idade. O nosso cinema é novo como pode ser o de Alex Viany e o de Humberto Mauro que nos deu em Ganga Bruta nossa raiz mais forte. Nosso cinema é novo porque o homem brasileiro é novo e a problemática do Brasil é nova e nossa luz é nova e por isto nossos filmes nascem diferentes dos cinemas da Europa.
Nossa geração tem consciência: sabe o que deseja. Queremos fazer filmes antiindustriais; queremos fazer filmes de autor, quando o cineasta passa a ser um artista comprometido com os grandes problemas do seu tempo; queremos filmes de combate na hora do combate e filmes para construir no Brasil um patriotismo cultural.
Não existe na America Latina um movimento como o nosso. A técnica é haute couture, é frescura para a burguesia se divertir. No Brasil, o cinema novo é uma questão de verdade e não de fotografismo. Para nós a câmera é um olho sobre o mundo, o travelling é um instrumento de conhecimento, a montagem não é demagogia mas pontuação do nosso ambicioso discurso sobre a realidade humana e social do Brasil! (p. 52)

Novo não quer dizer PERFEITO pois o conceito de perfeição foi herdado de culturas colonizadoras que fixaram um conceito de PERFEIÇÃO segundo os interesses de um IDEAL político. Os artistas que trabalhavam para os príncipes faziam uma arte HARMÔNICA segundo a qual a terra era plana e todos os que estivessem do outro lado da fronteira eram bárbaros. A verdadeira Arte Moderna, aquela que ética - esteticamente revolucionaria, se opõe, pela linguagem, a uma linguagem dominadora. (p. 133)

Porque a linguagem que o cinema novo persegue, a linguagem que dependerá de fatores sociopolítico-econômicos para se comunicar efetivamente com o público e influenciar na sua libertação não pretende ser a organização de uma academia, no sentido tão prezado pelos teóricos que necessitam de Deus para se salvar, mas proliferação de estilos pessoais que coloquem em duvida permanente um conceito de linguagem, superestagio da consciência.
A qualidade da obra de arte, me disse outro dia na praia o poeta Ferreira Gullar, será resultado da capacidade que o artista terá de elaborar seu material dentro do maior rigor dialético: é ele que conjugará informação, imaginação, razão e coragem, elementos sem os quais qualquer obra de arte não se realiza. (p. 149)

A final o Glauber queria dizer que o Cinema Novo não era um movimento, mas uma forma de expressão que não era restrita a nada, como ele escreve em 1965 no famoso texto EZTETYKA DA FOME:

Onde houver um cineasta disposto a filmar a verdade e a enfrentar os padrões hipócritas e policialescos da censura, aí haverá um germe vivo do cinema novo. Onde houver um cineasta disposto a enfrentar o comercialismo, a exploração, a pornografia, o tecnicismo, aí haverá um germe do cinema novo. Onde houver um cineasta, de qualquer idade ou de qualquer procedência, pronto a por seu cinema e sua profissão a serviço das causas importantes de seu tempo, aí haverá um germe do cinema novo. A definição é esta e por esta definição o cinema novo se marginaliza da indústria porque o compromisso do cinema industrial é com a mentira e com a exploração. (p. 67)

Todo este discurso e esse legado ideológico continuam validos para os nosso dias, num tempo novo, precisamos encontrar uma linguagem relevante para o audiovisual brasileiro do terceiro milênio.

O cinema novo não é uma escola acabada, é um movimento que se faz, se processa, se desenvolve à medida que se realiza... precisamos de uma linguagem nova e até mesmo complexa. A tal simplicidade, as vezes, é apenas um disfarçado recurso da mediocridade, da pobreza de imaginação, do mau gosto, do primarismo etc. (p. 81)

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Da expressão glauberiana



A linguagem cinematográfica nos filmes de Glauber Rocha não é uniforme, sofrendo variações estilísticas bem acentuadas, principalmente em Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964) e Terra em Transe (1967), sem falar no puzzle que é o seu canto de cisne, A idade da terra (1980). Se, antes de Glauber, o cinema brasileiro segue os cânones da narrativa griffithiana (de David Wark Griffith, cineasta americano que faz O Nascimento de uma Nação, em 1914, e Intolerância, em 1916, e é considerado o pai da narrativa cinematográfica), a registrar na sua história poucas ousadias formais – exceção se faça a Limite, 1930, de Mário Peixoto, é a partir dele que são introduzidos conceitos de Sergei Eisenstein no corpus do filme. Em Barravento(1959/1962), ainda que timidamente, a presença do soviético se faz sentir, assim como uma procura de distanciamento dos moldes praticados por Griffith – a narrativa de progressão dramática in crescendo, com a apresentação do conflito, desenvolvimento deste, clímax e desenlace.

Mas é somente a partir de Deus e o Diabo na Terra do Sol, obra que efetua um corte longitudinal na história do cinema brasileiro, que Glauber Rocha instaura um certo paradoxo estético num filme que conjuga várias influências, desde a tragédia grega (o cego Júlio como fio condutor), passando pelo western, na exploração dos grandes espaços, e Buñuel, na seqüência do assassinato do Beato Sebastião por Rosa, até chegar a Eisenstein, na matança dos beatos em Monte Santo (influenciada pela escadaria de Odessa de O Encouraçado Potemkin, 1925) e a Kurosawa, com os rodopios dissonantes de Corisco, entre outros.

O ritmo em Deus e o Diabo na Terra do Sol não segue um mesmo diapasão. Ora vem com cortes rápidos (quando Manuel esfaqueia o fazendeiro ou com os cavalos correndo na invasão da casa do vaqueiro que acaba por matar a sua mãe) num espírito quase fordiano, ora vem com tomadas longas (a segunda parte no encontro de Manuel com Corisco). Glauber Rocha, neste filme extraordinário, por mostrar uma enxurrada de influências, revela que sabe reprocessá-las, dando a elas um estilo, o estilo glauberiano, que seria copiado ad infinitum pelas gerações posteriores sem, contudo, nunca igualá-lo.

Este ritmo paradoxal de Deus e o Diabo na Terra do Sol não seria repetido em Terra em Transe, que possui uma estrutura narrativa de cortes ligeiros, montagem sincopada, e tomadas rápidas. O cineasta opta por este ritmo para adequá-lo melhor à sua temática. Um poeta que agoniza enquanto relembra fatos pretéritos. O filme se passa todo neste instante de agonia e as imagens surgem, portanto, dispersas, não enfeixadas dentro de uma narrativa corrente. Neste caso, é o pensamento tumultuado do personagem interpretado por Jardel Filho que se situa como o próprio móvel do filme. A Biografia de um Aventureiro, onde apresenta a trajetória do político vivido por Paulo Autran, é extremamente wellesiana até mesmo por seu tom radiofônico. O processo do pensamento agônico pode lembrar Alain Resnais.

Em O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro (1969), Glauber Rocha se apóia numa estrutura de narração que é, poder-se-ia dizer, antípoda da de Terra em Transe. Nela, uma espécie de suite de Deus e o Diabo na Terra do Sol, há uma radicalização estilística já experimentada em Cancer: a dos planos-seqüências – tomadas longas sem cortes. Em O Dragão..., todo filmado na aridez da paisagem de Milagres, no interior baiano, mais conhecido no exterior pelo nome de seu personagem principal, Antonio das Mortes (sempre interpretado por Maurício do Valle), a utilização do plano-seqüência chega às raias da exasperação. Um bom exemplo é a do enterro de Jofre Soares, quando a câmera acompanha uma ladainha e segue, em travelling, o trajeto do funeral. Há, no entanto, na abertura, uma invenção fascinante: Antonio das Mortes surge do lado direito da tela e passa por ela atirando com seu rifle até desaparecer do lado esquerdo. De repente, com o cenário vazio de pessoas, começam a cair vários cangaceiros, que foram atingidos fora do enquadramento. Genial, um verdadeiro cinema de invenção.

Em O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro procura uma transfer do ritmo da literatura de cordel para imprimi-la no cinema. A sensação que se tem, vendo este filme, é a sensação de quem lê uma história cordelista, com a diferença de que a transferência de uma linguagem a outra se processa com extrema felicidade. Da palavra escrita, da sintaxe verbal, passa-se à sintaxe cinematográfica que busca aquela.

O cinema glauberiano é um cinema de ritmo, portanto. Barroco, tem o sentido da linguagem, a compreensão de estar criando por meio de uma sintaxe própria, a unir esta à morfologia característica do específico cinematográfico. Um plano é morfológico, mas, quando este plano entra em contato com outro, deixa de sê-lo para dar lugar à sintaxe cinematográfica. Glauber, nesse sentido, é um cineasta que louva o verbo cinematográfico. Poucos os autores no cinema nacional, compreendendo-os como tais, como dizia François Truffaut, que possuem uma visão do mundo e um estilo de fazer cinema. Glauber Rocha encaixa-se perfeitamente na definição do severo crítico do Cahiers du Cinema.

FONTE SETARO

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Então, se o negócio é sucesso de bilheteria!!!


por Edson Bueno em seu blog.

Deu no blog do Arthur Xexéo: “Com a estreia, nesta sexta-feira, de "Não se preocupe, nada vai dar certo", de Hugo Carvana, o cinema brasileiro vai atestar se este é mesmo o seu melhor período dos últimos anos em termos de bilheteria. Como comprova o site Filme B, os números, desde o mês passado, são consagradores. "Cilada.com" já ultrapassou a marca de 2,5 milhões de espectadores. "Qualquer gato vira-lata" chegou, no último fim de semana, a 1,1 milhões. E "Assalto ao Banco Central" alcançou, no meio desta semana, seu primeiro milhão de espectadores. Essas bilheterias associadas a sucessos do começo do ano, como "De pernas pro ar" (3,5 milhões) e "Bruna Surfistinha" (pouco mais de dois milhões) devem trazer ao cinema brasileiro uma ótima participação no mercado em 2011.” Então é isso, o Cinema Brasileiro vai de vento em popa! Até acho fantásticos e comemoráveis estes números se levarmos em conta que o cinema americano (guardando as devidas proporções...) também navega em águas parecidas. As maiores bilheterias do ano, as que carregam milhões de pessoas para os multiplex, são porcarias feitas para aguçar olhos amortecidos e preguiçosos. Até este meio de ano quem deu as cartas por lá foi “Transformers 3” (mais do que abaixo da crítica), “Se Beber Não Case 2” (despencando no lodo), “Capitão América” (de doer de chato!), “Piratas do Caribe 4” (Johnny Depp metaformoseando grande interpretação em canastrice metida a paródia!) e outros tão ruins quanto...! “X-Men 4”, “Rio”, “Midnight In Paris” são apenas boas exceções. Então que até aí, tudo bem! Mas o que torra a paciência é que você não vê em cartaz filmes brasileiros verdadeiramente artísticos, preocupados com questões humanas, com linguagem ou com beleza. Não é possível? Oras, mas tudo não é patrocinado pelo governo? Então, o que custa fazer um exerciciozinho de imaginação, pegar um dinheiro desses e fazer uns dez ou doze filmes no nível de um “O Segredo dos Seus Olhos” (Argentina) ou “Poesia” (Coreia do Sul), por exemplo? Esse é o mistério que ronda a nova onda do cinema brasileiro. Há, de verdade, o que comemorar? É a expressão da alma brasileira que se vê em alguns daqueles filmes que estouraram nas bilheterias? Estava hoje assistindo a um filme muito interessante feito para a televisão inglêsa em 2009: “Um Inglês em Nova Iorque”, sobre o homossexual assumidíssimo, Quentin Crisp (1908/1999). Em determinado momento uma garota olha para ele e solta algo como: “Você é tão viado que nem gay é!” Perfeito! Mas não era disso que eu ia falar. Quentin, interpretado no crepúsculo, pelo maravilhoso John Hurt, a certa altura apresenta um artista plástico a um dono de galeria e o cara recusa o trabalha com o argumento de que, em nossos tempos, ninguém está preocupado com mensagens, ninguém quer saber de bandeiras, de arte engajada em ideias. E Quentin, entediado pela mediocridade geral, comenta: “Arte que não pensa, que mantém todo mundo no conforto…..”. Mais ou menos isso. Pra conseguir dinheiro do governo (leia-se povo brasileiro!), o sujeito tem que convencer um diretor de marketing de uma empresa qualquer, que o filme vai ser um sucesso... de público, claro! Alguma coisa está fora da ordem... Godard disse dia desses que o cinema de autor estava acabado: “Se um norueguês consegue fazer um filme tão ruim como no cinema americano...!” Na mosca, grande Godard!

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A reprodução e a novidade


A reprodução de “coisas” não tem por que, não viso fazer o que já existe usando minha visão apenas acredito no livre exercício da arte e da linguagem, nisso quero apropriar a criação. Fazer da vivência deste imaculado habitat da alma a mácula carnal da sensação material. Tudo até aqui foi apenas exercício da prévia do artista, agora só importa o laboratório para a criação, acreditar no espírito pós-moderno que sujeita a estética à sua reverência.

Quero encontrar no núcleo mais absorto do teatro o jogo para re-vivê-lo, interpretando-o no âmago da expressão dramatúrgica e visual que dele se pode extrair.

No cinema, quero mexer com sua elasticidade videática, cores, texturas, frames, cortes, edições, brilho, poesia e moda, quero delirar, porque cinema é delírio, é loucura, e quando deixa de ser, perde todo valor artístico.

Quero falar com suportes e conceitos novos, velhos e diferentes e mesclá-los, quero com isto vender a idéia pós-moderna como a liturgia necessária para salvar-nos, pobres mensageiros da odisséia terceiro mundana, que ainda não aprendeu o que é isto que reproduz tão velozmente.

Religião-esporte-arte são as bases da vida, só assim se pode chegar ao ser e ao Ser. Mas o resquício modernista-iluminista que ainda ladra no ouvido capitalista é o que nos enterra vivo na solidão da cidade, sem ar nos deixam os “professores”, os analistas, os industriais que nos matam por venderem suas almas frias e secas para este discurso velho e fantasmagórico que tem seus dias contados, mas que se aproveita da letargia terceiro mundana.

Os computadores são vitimas dos seus “cientistas da computação”, quando deveriam ser o libertador nesta conexão pensante e criativa.

O terceiro mundo precisa deixar de ser manipulado vendo apenas o que lhes permitem. O terceiro mundo precisa entrar em conexão, infelizmente apenas os pequeninos estão conectados e, portanto, abafados pelo grande e velho ideal fantasmagórico da modernidade.
Vamos unirmo-nos pelo (re)manejamento do ideal da idéia pelo pensamento universal temporal que como bebê em trabalho de parto permanece metade para fora e metade para dentro da madre, vamos parir este pensamento, vamos unirmo-nos para dar peso ao voto na linguagem e pela democratização da estética, pois em se tratando de terceiro milênio pós-cristão, isto é a liberdade!

Diego Marcell 05-08-11

terça-feira, 28 de junho de 2011

Produção e exibição do audiovisual brasileiro


É um grande erro copiar formas americanas de qualquer produto cultural. O Brasil é infinitamente mais rico culturalmente que um país descartável como os Estados Unidos.

Nos anos 50 foi criada a Vera Cruz, um estúdio nos parâmetros Hollywoodianos, que apesar de ter proporcionado vários sucessos cinematográficos de chanchadas e dramas clássicos, não durou muito, por não conseguir se manter independente do estado, lidando com valores estratosféricos. O oposto disso foi a criação da Embrafilme, uma empresa que bancava e distribuía em nível nacional nossos filmes, dividindo o mercado de maneira justa com o cinema de fora (que não era tão ruim como o de hoje em dia); outro fator favorável é que haviam muitas salas de exibição, salas grandes espalhadas por bairros e pequenas cidades.

Collor 1990, o presidente “mauricinho” queria transformar o Brasil em uma retenção de produtos importados, acaba com a Embrafilme e conseqüentemente com o cinema nacional. Nessa época eram produzidos em média de três a cinco filmes de longa metragem e sem possibilidade de exibição.

Fernando Henrique Cardoso, 1994, cria a Lei de Incentivo a Cultura e a Lei do Audiovisual, desta forma se dá a famosa retomada do cinema brasileiro com O Quatrilho, Baile Perfumado, Carlota Joaquina e tantos outros. Porém a invasão dos Estados Unidos com um cinema comercial e descartável, a redução das salas de cinema nas cidades pequenas a quase zero e nas grandes cidades as salas migrando para shoppings que exibem exclusivamente cinema comercial em salas agora minúsculas.

O grande problema da nova lei do audiovisual é que você precisa fazer o projeto, mandar para ser aprovado, se for aprovado começa a peregrinação de bater nas portas das empresas pedindo dinheiro, a empresa pode achar que a marca dela não se sairá bem de estar estampada no seu filme e com muito esforço daqui a 5 anos ele pode ser finalizado; outro fator que implica é que depois de pronto há o problema da exibição que a lei não inclui, realmente se a pessoa não tiver um grande empenho não fará um filme com recursos que não sejam próprios.

A única saída para a maioria mostrar seus filmes (principalmente curtas metragens que possuem uma lei de exibição nos cinemas, mas que deixou de ser cumprida dês do final dos anos 80) são os festivais espalhados pelo Brasil e algumas exibições em canais de televisão por assinatura, que democraticamente premiam o esforço daquele cineasta brasileiro que não entra nos moldes da Globo Filmes.

Com a chegada do cinema digital, no qual o custo de produção cai drasticamente em relação a película, e o auxilio da internet, muitos cineastas partiram para uma maneira alternativa de execução, criando um mercado paralelo a esse que estamos acostumados; com um cinema experimental, que não se limita as imposições comerciais, fazendo filmes com gastos super reduzidos e investimentos próprios, pois quando há liberdade e até limitações o brasileiro é n° 1 em criatividade, permitindo desenvolvimento do raciocínio, quebra de valores antigos, exceções de regras impostas por um cinema metódico e ultrapassado.


Diego Marcell 04/03/07

domingo, 19 de junho de 2011

Vídeo teste


Depois de acompanhar algumas exibições do “Memórias do Meu Mundo”, percebi que ele é mais que um filme (apesar de que para alguns, nem chegue a ser um), ele é um teste de capacidade psicológica; com a reação das pessoas que o assistem, percebe-se claramente a vida que elas levam, a mentalidade e conhecimentos que possuem.

Tive uma boa aceitação entre crianças, que por serem puras e não terem caído nas normas da mídia se divertem com o jogo de imagens que o filme oferece.

Mas até o momento, meu maior prazer, foi o reconhecimento por ex-drogados, pois acharam que o filme retratou bem um estagio avançado de certos tipos de drogas, também acharam o filme educativo.

Já entre a burguesia sem cultura, ele não passou de um freak show sem sentido, pois sequer menciona fatos de seu universo fútil, como consumismo de um cotidiano descartável que se baseia esse tipo, tão constante na sociedade, onde a maior alegria e maior gasto de energia e raciocínio, seja em idas ao shopping, para suprir a falta de conhecimentos gerais e humanos, básicos para uma vida social no mínimo comunicável.

Percebo cada vez mais que o dinheiro de nada interfere na formação de pessoas, analisando gente das classes C e D, com agilidade e superioridade para convívio e envolvimento social e troca intelectual, que muitas vezes não encontro nas classes A e B, que apesar de todo acesso a variedade cultural, acabam sucumbindo ao assédio de um mundo movido a dinheiro, dedicando tanto de suas vidas a objetividade de coisas palpáveis, que já não conseguem apreciar a arte, que é uma coisa exclusivamente subjetiva.



Resposta ao publico que não entende


Como sei que grande parte da população não tem capacidade de apreciar a arte, e se fosse para explicar pra todos estes uma coisa que não se explica; teria que ser dado aulas de vivencia e não de cinema, o que tomaria muito do meu tempo; por isso evito o quanto posso o publico de novela, aquele que a imagem não vale por mil palavras, pois necessita do acompanhamento de uma voz para lhe explicar a cena. Eu só posso dizer a estas pessoas, que se interessem pelo maior numero de assuntos possíveis e que se desprendam de qualquer preconceito que imaginarem recorrer para fazerem criticas sem serem peritas no assunto; só assim quem sabe, um dia, entendam uma obra de arte.

22/07/07

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Memórias do Meu Mundo


Sinopse

Raquel acorda assustada de um sonho bizarro, porém no decorrer do seu dia ela vê que o sonho foi apenas uma parte das bizarrices que ainda estavam para acontecer.
Sem reconhecer as pessoas na rua e tendo apenas a lembrança do namorado e seu grupo de amigos, tem fragmentos de memória da noite anterior (ou das noites) conforme as coisas vão acontecendo com ela.
Memórias do Meu Mundo entra numa reflexão psicológica que nos leva a pensar aonde os envolvimentos dos seres humanos com drogas e outros 'mundos', sem conhecimento, podem levar; transformando a mente em um reduto irreconhecível para a própria pessoa. O filme também traz uma linguagem que segue a mente da personagem. Limitada em recursos técnicos, faz uma viagem psicodélica de imagens estimulando raciocínio audiovisual, obrigando o telespectador a uma entrega total ao jogo e a idéia do filme.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Café, Curitiba e Cinema


Num café preto, cheio de açúcar, eu armazenei o meu cinema. No seu cheiro, nas suas roupas, nas suas fitas e edições. Em Curitiba, numa Curitiba capital do cinema cosmopolita. Nos sóis do meio-dia. Na alegria colorida e cintilante da noite antiga. Lá nas ruelas cinematográficas, de negros sobretudos sobre asfaltos úmidos, sob postes de luz.

Escolhemos a diversão e o ativismo, mas não a profissão; escolhemos a cultura, a arte e o café, mas não a escravidão. Escolhemos em nossos quartos, a filosofia de um filme desconhecido, a chuva e o verde das folhas, a janela do prédio que filma a cidade parada, estática e as buzinas. O que fazer? Ligar para alguém, comer uma salada, beber um vinho e conversar.

A noite pede mais um plano, mais um livro que eu deixo para amanhã, temos que ler um roteiro antes de dormir. Temos que escolher a vida, antes que o café congele, coisa que nunca deixamos que acontecesse.

Diego Marcell 25-07-10

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Dia nacional da hipocrisia




Qual é o limiar do gosto e da idiotice? Por que cala quem pode falar? Seu emprego está acima de sua alma? O cinema nacional produziu tanto sobre a ditadura militar e não nos ensinou a agir, agora que outra se inicia?
Liberdade acima de tudo!
País de analfabetos, país de homens sem alma. E não estou falando dos do poder, alma não tem o povo que é possuído pelo espírito nordestino da autocomiseração. Sangue suga dos trabalhadores, povo idólatra da podridão, da doença, adoradores da miséria, estes são os que movem um país que tinha tudo para ser, mas nunca será nada.
Vender o país não é privatizar suas empresas, vender o país é fazer aliança com assassinos, com corruptos, com ladrões, vender o país é vender o conceito da nação, é tirar a pureza da terra e associar-se com líderes demoníacos em troca de pão.
Em troca de mídia, bela política externa.
É isso que dá, um país de analfabetos, só pode ter um rei analfabeto. Um país de vagabundos, só pode ter um rei vagabundo. Um país de quadrilhas, só pode ser governado pelo rei da quadrilha das quadrilhas.
Um país que não assiste o próprio cinema não tem historia, não tem memória, não tem heróis. País da idolatria importada. Ninguém, nem o povo vota pelo país, mas todos votam pelo que convém, então não existe no Brasil uma nação, mas apenas um grande carnaval; sexo, drogas e armas. Esta não é uma nação, esta é uma salada de egos vagabundos e mal esclarecidos que ficam chateadinhos com qualquer opinião que discorde da deles, e quando não existem respostas, pois os mesmos não estudam, portando são incapazes de elaborar respostas contra fatos, lá vão eles e implantam a censura, e como não tem o que argumentar, calam a boca dos contrários com a força física e política da não razão.
Neste país de feriados nacionais, quero propor o dia nacional da hipocrisia no dia do nascimento de Luiz Inácio “Lula” da Silva.

Diego Marcell
22/08/10

quarta-feira, 7 de abril de 2010

O filho do Rambow – cinema, religião e cultura pop




Uma irmandade pseudo-cristã, que ora freqüentemente nas vigílias, lêem a Bíblia e proíbem seus filhos até de ver os documentários televisivos no colégio.
Um lindo filme que assisti, onde o menino ao se deparar pela primeira vez com a tevê assiste o filme Rambo – programado para matar, e sai extasiado, com a mente impelida numa ficção onde ele agora se considera “o filho do Rambo”.
Esse filme inglês nos dá várias lições. A 1ª é de como a religiosidade cega mata a alma dos homens. O 2º é como a cultura de massa produz seguidores da aparência (representado por um menino Frances que causa frison no colégio, mas encerra-se com a desmitificação deste ícone indo embora e sendo esculachado belamente por seus conterrâneos: “ingleses idiotas, RS” é a definição deixada para a massa de adoradores de ídolos). 3º e mais importante, é como Deus usa “tragédias” para produzir a cura, tanto num relacionamento esfacelado de irmãos, como na própria família religiosa, que ao ser condenada pela religião, tem aí a salvação e a liberdade instituída em seu lar.
Como a cura é precedida da dor, como o fogo é precedido pelo sacrifício e como a vitória é precedida do deserto.
Vale a pena conferir esta produção “O filho do Rambow”.

Diego Marcell
02/04/10

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