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sábado, 13 de agosto de 2011

Alento aos desolados com a Igreja


11/08/2011
por Leonardo Boff

Atualmente há muita desolação com referência à Igreja Católica institucional. Verifica-se uma dupla emigração: uma exterior, pessoas que abandonam concretamente a Igreja e outra interior, as que permanecem nela mas não a sentem mais como um lar espiritual. Continuam a crer apesar da Igreja.

E não é para menos. O atual Papa tomou algumas iniciativas radicais que dividiram o corpo eclesial. Assumiu uma rota de confronto com dois importantes episcopados, o alemão e francês, ao introduzir a missa em latim; elaborou uma esdrúxula reconciliação com a Igreja cismática dos seguidores de Lefebvre; esvaziou as principais intuições renovadoras do Concílio Vaticano II, especialmente o ecumenismo, negando, ofensivamente, o título de “Igreja” às demais Igrejas que não sejam a Católica e a Ortodoxa; ainda como Cardeal mostrou-se gravemente leniente com os pedófilos; sua relação para com a AIDs beira os limites da desumanidade. A atual Igreja Católica mergulhou num inverno rigoroso. A base social de apoio ao modelo velhista do atual Papa é constituída por grupos conservadores, mais interessados nas performances mediáticas, na lógica do mercado, do que propor uma mensagem adequada aos graves problemas atuais. Oferecem um “cristianismo-prozac”,apto para anestesiar consciências angustiadas, mas alienado face à humanidade sofredora e às injustiças mundiais e a situação degradada da Terra.

Urge animar estes cristãos em vias de emigração com aquilo que é essencial ao Cristianismo. Seguramente não é a Igreja que não foi objeto da pregação de Jesus. Ele anunciou um sonho, o Reino de Deus, em contraposição com o Reino de César, Reino de Deus que representa uma revolução absoluta das relações desde as individuais até as divinas e cósmicas.

O Cristiansimo compareceu primeiramente na história como movimento e como o caminho de Cristo. Ele é anterior a sua sedimentação nos quatro evangelhos e nas doutrinas. O caráter de caminho espiritual é um tipo de cristianismo que possui seu próprio curso. Geralmente vive à margem e, às vezes, em distância crítica da instituição oficial. Mas nasce e se alimenta do permanente fascínio pela figura e pela mensagem libertária e espiritual de Jesus de Nazaré. Inicialmente tido como “heresia dos Nazarenos” (At 24,5) ou simplesmente “heresia” (At 28,22) no sentido de “grupelho”, o Cristianismo foi lentamente ganhando autonomia até seus seguidores, nos Atos dos Apóstolos (11,36), serem chamados de “cristãos.”

O movimento de Jesus certamente é a força mais vigorosa do Cristianismo, mais que as Igrejas, por não estar enquadrado nas instituições ou aprisionado em doutrinas e dogmas. É composto por todo tipo de gente, das mais variadas culturas e tradições, até por agnósticos e ateus que se deixam tocar pela figura corajosa de Jesus, pelo sonho que anunciou, um Reino de amor e de liberdade, por sua ética de amor incondicional, especialmente aos pobres e aos oprimidos e pela forma como assumiu o drama humano, no meio de humilhações, torturas e da execução na cruz. Apresentou uma imagem de Deus tão íntima e amiga da vida, que é difícil furtar-se a ela até por quem não crê em Deus. Muitos chegam a dizer: “se existe um Deus, este deve ser aquele que traz os traços do Deus de Jesus”.

Esse cristianismo como caminho espiritual é o que realmente conta. No entanto, de movimento, ele muito cedo ganhou a forma de instituição religiosa com vários modos de organização. Em seu seio se elaboraram as várias interpretações da figura de Jesus que se transformaram em doutrinas e foram recolhidas pelos atuais evangelhos. As igrejas, ao assumirem caráter institucional, estabeleceram critérios de pertença e de exclusão, doutrinas como referência identitária e ritos próprios de celebrar. Quem explica tal fenômeno é a sociologia e não a teologia. A instituição sempre vive em tensão com o caminho espiritual. Ótimo quando caminham juntas, mas é raro. O decisivo é, no entanto, o caminho espiritual. Este tem a força de alimentar uma visão espiritual da vida e de animar o sentido da caminhada humana.

O problemátio na Igreja romano-católica é sua pretensão de ser a única verdadeira. O correto é todas as igrejas se reconhecerem mutuamente, pois todas revelam dimensões diferentes e complementares do Nazareno. O importante é que o cristianismo mantenha seu caráter de caminho espiritual. É ele que pode sustentar a tantos cristãos e cristãs face à mediocridade lamentável e à irrelevância histórica em que caiu a Igreja atual.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Sem discípulos



Quantas honras de homens são necessárias para te matar? Quantos agrados e quantas buscas não passam de ilusão? Cortaram uma de minhas azas, me mantêm aqui, entre o restolho da velha política religiosa, entre as grades sebosas da igreja evangélica e sua história de “homens de Deus”, mas aonde estão seus discípulos?

Tudo se inicia com uma pergunta e meu silêncio me corroe, eu preciso deixá-los, eu preciso falar, apesar de não querer, apesar de querer gritar.

Eu preciso de rostos sinceros e coloridos pela maquiagem new rave, eu preciso do cheiro estridente do gelo seco, eu preciso das mentes abertas dos adoradores.

Eu não preciso do mesmo banco, da mesma praça, do mesmo terno, do mesmo versículo.

Eu preciso de uma nova unção?

Nas escadas sentar para pensar, me humilhar diante de Ti, é tão bom contemplar as nuvens e os trovões, eu preciso da tua Verdade.

Pra que tantos departamentos sem influencia espiritual? Pra que tanta política eclesial se tudo não passa de papel e assinaturas?

Eu quero a comunhão. Repartir o pão. Apreciar o vinho. E sair leve, levado pelo vento para onde você quiser.

Provando mistérios, caminhos inéditos me atraem, apesar deles quererem me fazer esquecer, mas eles querem me sufocar, pensam saber o tempo, pensam saber de tudo, mas eles só sabem o que a religião assinou em seus tratados a quatro paredes, eles só sabem manipular.

Diego Marcell 21-02-10

terça-feira, 26 de abril de 2011

Prisões religiosas – instituição



Deus fala com alguém? Já que os que falam em nome de Deus se contradizem! Então por que não falar pelo próprio nome já que a voz ouvida não é audível, mas apenas abstrata?

Qual o nível da prepotência e da arrogância que possui o ser humano a ponto dele falar ao próximo como este deve fazer para ouvir Deus. Isso nada mais é que ouvir sua própria alma ecoando reflexos sentimentais.

Se Deus revela tanta verdade diferente a tanta gente, então é sinal que os receptores não estão decodificando a mensagem, isso acontece porque eles nascem dentro de sistemas desenvolvidos por outros homens, muitas vezes re-formuladores de coisas antigas, mas sempre imperfeitos por mais elaborados ou simples que sejam seus esquemas, pois sua essência é humana; isso tudo influencia naquele que imagina se comunicar com o Altíssimo. Só irá funcionar a mensagem limpa e direta quando aquele que ora, saber realmente como fazer. O problema é que se houver algum resquício religioso institucional em sua mente isso já será uma barreira, quando isso acontecer é necessário se livrar de tudo, esquecer de todos e reportar-se somente a Jesus, esquecendo tudo que foi falado a Seu respeito ou as Suas palavras interpretadas por outros.

Acabamos descobrindo que a adaptação que toda instituição exige é incompatível com a liberdade de que as pessoas necessitam para crescer em Cristo. (JACOBSEN, 2009, p. 201)

Agora eu vejo o que é uma sociedade cega. Crianças religiosas com retardo mental. Fantasia que os faz viver e guerrear. Isto não é obra do demônio? Pois como não ser? Viver sua vida numa Matrix. Morrer e não ter vivido e perceber que foi para onde não deveria. A eternidade é um sistema fechado de mais para se brincar. É vida e é morte e é nosso tempo de escolher por uma vida possível de morte ou de vida se você souber ver.

Não creio numa instituição perfeita, mas creio em gente que faça de Deus sua prioridade.

As pessoas criam a divisão ao exigir que as demais se adaptem à sua própria revelação da verdade. Muitos de nós, na jornada, somos acusados de promover a divisão porque a liberdade pode ser ameaçadora para quem encontra segurança num sistema religioso fechado. Mas a maioria de nós não está tentando convencer outras pessoas a abandonar suas congregações. Consideramos a comunidade cristã grande o bastante para acolher o povo de Deus, seja qual for a maneira pela qual Ele o reúna. (JACOBSEN, 2009, p. 204)

Hoje não precisamos mais ficar falando sobre a Igreja. Precisamos é de gente preparada para viver a realidade dela.

Diego Marcell 14-04-10

REFERÊNCIA
Porque você não quer mais ir a igreja? Wayne Jacobsen e Dave Coleman. Ed. Sextante, 2009.

domingo, 17 de abril de 2011

Sou adolescente e busco uma igreja, o que fazer?


Primeiro, se você entre seus 14 e 18 anos busca de espontânea vontade uma igreja, sente esta necessidade, isto já é 50% de um grande motivo de louvor. Porém, que causa o instiga tal desejo?

Muitos dos jovens que conheci nas igrejas, na verdade, a grande maioria fez da igreja o seu meio social e não digo que não possa ser, mas se este for o que alavanca a situação, aí habita um grande erro. O sexo oposto na época de maior ebulição sexual é um ótimo pretexto para buscar-se uma igreja, se a mesma armazena em seus limites gatinhos e gatinhas, mas se da mesma forma esta for a causa primeira, será também a primeira a afastar-lhe da mesma. Também existem as amizades escolares que se estendem para o campo religioso, isto também presenciei em grande quantidade, como presenciei sua derrocada pela falta de motivos realmente religiosos em torno deste reduto social. Há também aqueles que por serem jovens renegados ou anti-sociais buscam na instituição religiosa uma saída para sua solidão, já que ali geralmente são bem acolhidos, principalmente porque quem acolhe também vê vantagens em fazê-lo, se porém uma fé verdadeira não brotar no interior destes ex-solitários, eles cansados da hipocrisia religiosa buscarão em outros lugares seu recanto pop e ainda estarão aptos a expressarem sua amargura contra aquilo que viveram, situação que também vi com meus próprios olhos. A estes, meu melhor conselho é que vivam a juventude livremente longe de qualquer religião, tanto para não prejudica-las, como para não prejudica-los, isto fará que no momento certo a religião encontre os vossos corações.

Agora, se você é um jovem da mesma idade, e está sentindo esta necessidade sem nenhum dos motivos citados acima, então este momento certo já chegou na sua vida, isto quer dizer que o dia do chamado chegou, se seu peito arde pela causa religiosa, é Deus quem lhe chama para a vida comunitária da igreja. Mas qual igreja?

A igreja que é a vida com os irmãos de verdade, onde você consiga se encontrar com pessoas que pensem como Igreja/Corpo de unidade cristã.

Para encontrar uma instituição cristã onde se possa viver esta Igreja é necessário primeiro pesquisar os históricos das instituições partindo da história do cristianismo; calma, que não é tão complexo assim. Analisar igrejas que possuam uma base teológica forte (e não tão cheia de normas e regras, que aí você cai em coisas tipo adventistas do sétimo dia e testemunhas de jeová, e isto Deus não quer), mas os exemplos da reforma protestante e igrejas clássicas são um bom exemplo, deve-se evitar igrejas clássicas com adendo no nome, tipo: “Assembléia de Deus do fogo santo”, ou “Igreja Batista porta da revelação”, ou “Igreja Luterana Renovada do Milagres” e coisas do gênero. Tendo como base alguns nomes de igrejas cristãs de conceito teológico, você pode partir por uma peregrinação de conhecer as que existem na sua cidade, infelizmente cheguei a conclusão de que quanto menor a cidade, mais desqualificada é a liderança da igreja, mas cabe a nós estudarmos para mudar este quadro. Outra coisa que você enfrentará neste caminho é o chamado “puxar a sardinha”, tipo, você visita uma igreja e logo a liderança de jovens vem dizer que você tem que ficar ali, porque ali é a melhor igreja que existe, porque tem o pastor mais abençoado, porque ensina melhor que a outra, etc, isto é um péssimo sinal, foge deste lugar!

Neste sentido, das igrejas conceituadas, não existem ruins ou boas, apenas diferenças que irão se encaixar na característica pessoal do fiel. Na minha cidade natal, eu conheço um rapaz que é tão parado, que ele só se sente bem numa igrejinha presbiteriana pequenina que possui meia dúzia de idosos; enquanto conheço outras que só se sentem bem em lugares bem agitados e barulhentos; eu, por exemplo, não me vejo em nenhuma das duas, porém não descarto a necessidade de ambas. Nesta sua peregrinação você acaba encontrando mais similaridade de idéias em uma que em outra, mas também tem a questão do ambiente das pessoas e a compatibilidade de pensamento e cultura dos que ali estão com você. Eu freqüentei um lugar onde sentia necessidade de um diálogo mais aberto, cultural e até intelectual, o que não acontecia, não me permitindo encontrar por completo naquele grupo que era mais freqüentado por pessoas de um bairro e trazia características sociais ruins deste tipo de lugar, começando pelo seu pastor.

É fundamental encontrar um grupo que se identifique com você, que ali existam pessoas com coisas em comum com as suas para haver certa cumplicidade não só espiritual, mas também epidérmica.

Apesar de tudo isto que foi dito, creio que a melhor alternativa para um adolescente nos dias de hoje, que nasce com o pensamento pós-moderno, seria uma comunidade “descolada”, espiritual e mais intima, como é possível encontrar hoje na internet e que se materializam em reuniões em Universidades, nas casas, nos cafés e até mesmo em um local especifico, mas que exercem esta expressão cristocêntrica de forma que faça mais sentido no mundo conectado que flui pelos dias do terceiro milênio. Onde a vivência de Cristo no ser humano possa evoluir para a vivência do respeito e da saúde plena do ser para a sociedade dentro do projeto divino no indivíduo.

Se você é um adolescente que sente este chamado, fale com Quem te chamou no silêncio do seu quarto, encontre nas palavras dos evangelhos o sentido desta vivência e permita que o Espírito te guie pela liberdade no melhor da ousadia da idade para exercer o que lhe foi proposto pelo Criador, pois este o levará a aquilo que fará sentido em seu coração.

Diego Marcell

texto encomendado e postado originalmente pelo blog Geração Renovada

segunda-feira, 4 de abril de 2011

A missão da Igreja no século XXI


“Como o Pai me enviou, eu também vos envio.” (Jo 20.21b)
Se a igreja não é missionária no dia a dia, na totalidade da sua presença no mundo, ela deixa de ser igreja para tornar-se uma associação, um clubinho de auto-ajuda.

Compreender que cada membro deve capacitar-se para que o Espírito Santo o use dando-lhe oportunidades maiores para esta ação, que não seja sempre o mesmo leitinho, que Paulo já advertia no passado, mas que seja uma constante busca pelas novidades do Criador.

Este tema faz jus somente aos cristãos verdadeiros e só assim faz sentido. Mesmo que um não convertido que freqüente a igreja pense no seu direito de fazer missões, ele não consegue exercê-la, já que “a missão é de Deus e, portanto, tudo o que a igreja pode fazer é se unir a Deus na missão que já está acontecendo para a redenção da criação.” (González, 2009, p. 212). Não faz sentido exigirmos isto de alguém, isto é algo que deve fazer parte da consciência do cristão através de certa instrução e o Espírito manifestará na vida dos seus esta necessidade.


Missão integral no nascimento da igreja

Atos 2. 1-13

Quando pensamos em missão automaticamente vem a nossa mente aquele missionário na África e a igreja daqui o sustentando. Porém, o que este texto em Atos expressa, este trecho do nascimento da igreja, ele deixa claro o principal ato dela já sendo executado no exato momento do seu nascimento, que é a missão, quando o Espírito veio sobre aquelas pessoas, das 120 ali, não foram 5 ou 10 que saíram a proclamar as maravilhas de Deus, mas todas!

O fato principal desta passagem sempre foi deixado de lado em nome de uma errônea validação do dom de línguas como evidencia do batismo com o Espírito Santo. Porém, está claro que neste momento do nascimento da igreja ninguém falou em línguas estranhas, sendo este um dom sistematizado por Paulo nas cartas, mas que no nascimento da igreja não ocorre. O que ocorre é o evangelismo, a comunicação a todos das maravilhas de Deus, aqui habita o sentido máximo da nossa característica cristã, o falar, comunicar de forma entendível, de forma clara as maravilhas de se ser cristão, de ter o Espírito de Cristo em nós.

E como se dá esta comunicação clara? Desta forma que nós como cristãos nos apresentamos na rua? Fazendo separação, andando aparentemente com um tipo de roupa? Um tipo de penteado? Um tipo de palavreado? Abarrotado de palavras arcaicas tiradas de uma cultura não pertencente a nós?

(ler novamente Atos 2. 8-11)

O fato que devemos atribuir valor e grande glória a Deus é pela comunicação aqui ocorrida e não pelo ato extraordinário de se falar uma língua que não se sabia previamente.

Esta passagem deve ser o impulso histórico da igreja em todas as suas fases. É nossa responsabilidade compreende-la em nosso contexto de época, de cultura e de território.

O pensamento da igreja em missões não deve ser o de sustentar um missionário em terra distante, mas pensar cada membro como um missionário integral. No bairro, no ponto de ônibus, na panificadora, na escola, no trabalho.

Não pense agora, porém, que basta comprar um bloco de folheto e distribuir pela cidade. O missionário integral tem a sua vida como aparelho comunicativo do seu estado de Igreja, e um aparelho comunicativo deve conhecer-se inserido no contexto temporal em que atua; do contrário a comunicação do evangelho falha.

Ficou cada vez mais claro que o contexto social e econômico do teólogo imprimi seu selo sobre a teologia de cada um. Surgiu assim toda uma série de teologias que, em lugar de negar seu caráter contextual o afirmam, declarando que isso provê com perspectivas novas e valiosas quanto ao sentido das Escrituras, do evangelho, e das doutrinas em geral. (González, 2009, p. 72)

E se vermos desta forma “toda teologia é necessariamente contextual, e aquela que pretende ser universal e livre de seu contexto, simplesmente é uma teologia preconceituosa.” (González, 2009, p. 72) pois como podemos afirmar sem conhecimento de causa da cultura oriental ou africana se nunca saímos da nossa cidade no interior do Brasil?


Comunicação como instrumento eficaz

Augustinho diz que existem duas coisas necessárias ao tratamento das Escrituras: uma maneira de descobrir (modus inveniendi) aquelas coisas que se devem compreender e uma maneira de expressar aos outros (modus proferiendi) aquilo que aprendemos. (Hesselgrave, 1994, p. 29)

O primeiro passo que dará sucesso à proclamação do evangelho é o conhecer e entender aquele a quem estão passando estas informações, e isto só é possível se colocando no lugar destes, sentindo suas dores e alegrias, inserir-se no contexto do outro para que o evangelho de Jesus faça sentido no momento da proclamação.

O grande aspecto da torre de Babel foi a perda de comunicação dos seres humanos que só se restituiu com a igreja em Atos 2. Porém, devemos estar conscientes espiritualmente para aprendermos que estas comunicações hoje ultrapassam a linguagem somente, mas que ela toda é composta de signos (símbolos) que dependem de interpretação.

Aristóteles desenvolveu a base do que ainda hoje podemos falar dos processos de comunicação, para ele haviam três pontos de referencia: o orador, o discurso e o ouvinte. Entre estes existem um processo de codificação e decodificação.

O emissor (que é o orador de Aristóteles) possui um código dentro dele, que exteriorizado torna-se mensagem. Então a comunicação deve ser voltada para a recepção e ajustada aos diferentes públicos, o que a Bíblia deixa claro nos exemplos apostólicos, principalmente de Paulo.

Portanto, o emissor deve analisar o receptor em termos antropológicos, sociológicos e psicológicos. Quanto mais pudermos saber sobre o receptor, mais sucesso teremos, já que poderemos usar as informações para moldar a mensagem do evangelho ao contexto do outro.

A palavra “comunicação” vem do latim COMMUNIS (comum). Devemos estabelecer uma “comunhão” com alguém para haver comunicação. A “comunhão” encontra-se em códigos partilhados mutuamente (Hesselgrave, 1994, p. 39)

Por isso a decodificação do receptor, jamais é plena da mensagem do emissor, sendo que ambas possuem uma distância muito longa de coisas em comum, mas o quanto mais claros pudermos ser e mais próximos da realidade do outro, mais chances haverão do evangelho fazer sentido, sendo que ele como mensagem é símbolo e símbolo fora de contexto não possui sentido. Devemos aproximar o código do receptor a tal ponto dele decodificar sem que sejam abstrações sem paralelismo fundamentalmente evangélicos.

Já que “somos observadores imperfeitos ou porque interpretamos erroneamente o modo como o mundo é de fato” (Hesselgrave, 1994, p. 51) é que nossas igrejas não estão alcançando aqueles que deveriam.

Pensamos que o “nós como instrumentos de Deus para a evangelização” é baseado em horas de oração. Isso nunca foi realidade, já que aí transferimos a responsabilidade para nós como se o poder de conversão do outro estivesse no instrumento e não no Senhor; mas a capacitação do cristão como comunicador é um louvor a Deus como se dissesse: “estou pronto para o Senhor me usar com aqueles que o Senhor deseja alcançar e colocar no meu caminho”, pois também tem a ver com humanidade, humildade e amor, o colocar-se no lugar do outro e o aprender sobre o outro contexto gera respeito, o que em muitos casos as excessivas horas de oração fazem o contrario, pois os ascetas não tendo contato com os “pecadores” acabam tornado-se soberbos.

Este é o principal motivo do pouco sucesso de muitos missionários mundo afora, e não por ser uma “luta com o inimigo”, mas por estes terem pouco conhecimento das diferenças lingüísticas, políticas, econômicas, sociais, psicológicas, religiosas, nacionais, racionais, entre outras.

O bom missionário é aquele que se insere por completo na sua proposta missional.

A igreja nasce, mantém-se e transforma-se pela missão de Deus. Ao mesmo tempo, ela também é sujeito ativo nessa missão. Isso é, a igreja discerne e descobre a atividade de Deus no mundo e dela participa. (González, 2008, p. 23)


Missão da Igreja na Teologia do Cotidiano

A Igreja é a representação e a explanação de Deus no mundo, ela é o conhecimento do Divino no mundo material e natural como também a imagem da Religião em meio a aqueles que precisam da regeneração.

Mas não da forma que automaticamente nos vem a mente, daqueles belos prédios e catedrais no meio das cidades, ou de grupos que se reúnem e cultuam a Deus, este testemunho não é a plenitude do conhecimento da sabedoria de Deus através da Igreja na sociedade (Ef 3.10), mas apenas a mínima parcela da sua capacidade e propósito.

A unidade da Igreja, também não é esta que se apresenta em grupos que se reúnem para propósitos eclesiásticos, evangelísticos, de estudo ou outros, mas da ligação espiritual e amorosa que se identifica no natural, são os irmãos que mesmo sem conhecimento prévio, mesmo afastados geograficamente, falam uma só língua e pronunciam uma só mensagem.

O regenerado não é aquele que abraça a fé cristã unicamente, ou que se “converte” ao cristianismo, o que se batiza em alguma instituição, ou abandona os vícios e muda suas velhas práticas, pois tudo isso pode ser meramente impelido pelo externo e estar sujeito a novas mudanças quando algum evento assolar o ser, ou até mesmo se ele eventualmente continuar até o fim da vida dedicando-se a esta fé, mas por implicações externas e manter-se ali por comodismo ou inúmeras outras possibilidades de fatores, ainda assim este não será um regenerado.

A Igreja em sua missão só terá sucesso ou fará sentido se os seus indivíduos regenerados viverem de forma igualitária dentro do propósito de Deus para cada membro do seu Corpo, no meio da sociedade, mesclando-se a ela e partilhando de tudo que permita a proximidade e a experiência no mesmo grau que os não regenerados, para através da sua vida ser exemplo vivo, claro, evidente e palpável daquele que tem o Espírito de Deus o guiando, em oposto a aquele que não O têm. Só assim a Igreja falará à aqueles que se encontram fora de Cristo, se a Igreja for e viver onde os pecadores vão e vivem, seguindo o exemplo do que Jesus fez.

O que se vê é que pessoas se convertem ao cristianismo e se enclausuram dentro de quatro paredes e saem visitar as pessoas apenas para distribuir folhetos e falar versículos bíblicos, e isto não é missão da Igreja e isto não surte efeito (com exceção de casos específicos, mas não por méritos do objeto, mas por escolha do Espírito Santo).

A instituição religiosa faz um desserviço a missão integral, ao fabricar uma cultura segmentada “gospel”, ela pretende converter as pessoas a esta cultura, que é em geral uma cópia pobre das culturas gerais e contrárias a reflexão existencial, religiosa e social.

Se o evangelho não for compreendido e praticado em sua essência por aqueles que realmente são Igreja, e os mesmo se deixarem sucumbir pela pressão exercida pela instituição e tudo que vem atrelado a sua prática limitadora e prisional, a Igreja verdadeira será engolida por um sistema que tenta transpor o espiritual à matéria e a inversão de valores tomará conta dos Filhos de Deus que se deixarem levar pelo comodismo.

Diego Marcell 04-04-11

Este artigo foi inspirado além dos livros usados como referência, também outros dois que são indispensáveis para a compreensão do tema na atualidade.

Fundamentos da teologia prática de Júlio Zabatiero, editora Mundo Cristão.
A igreja emergente de Dan Kimball, editora Vida.

Referências

HESSELGRAVE, David J. A comunicação transcultural do Evangelho volume 1. São Paulo: Vida Nova, 1994.

L. GONZÁLEZ, Justo. Breve Dicionário de Teologia. São Paulo: Hagnos, 2009.

L. GONZÁLEZ, Justo; Cardoza Orlandi, Carlos. História do movimento missionário. São Paulo: Hagnos, 2008.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O futuro emergente – reflexo brasileiro



Não podemos transformar um movimento natural, em um movimento fechado, institucional, dogmático ou dogmático às avessas. Um movimento que nasce como resposta a nova forma de pensamento não pode impelido pela velocidade deste novo mundo entrar em decadência anulando a visão aberta e necessária as localidades, generalizando-as pelas idéias de alguns “papas” do “movimento”, que sendo desta forma deixa de ser um movimento dentro da proposta para entrar em igualdade as ultrapassadas linhas cristãs do passado recente e mais antigo também. Digo isto por ter assistido um vídeo de John Piper no qual ele fala sobre a igreja emergente; entendo perfeitamente o que ele diz, apesar desta visão ainda estar um pouco avançada para nossa realidade brasileira que deve estar uns 10 anos atrás da americana, enquanto ainda colhemos os louros do neopentecostalismo da igreja Mundial do Sr. Santiago. Apesar de toda conexão da rede.

Mas que a nossa ainda novata e por isso pura igreja emergente não caia nas tentações universalistas que a religiosidade humana costuma implantar nos fiéis, mas que se readapte no país com uma teologia própria e ortodoxa e produza finalmente um pensamento teológico de destaque, que aprenda a pensar de forma independente dos padrões norte-americanos, para sair daqui um exemplo de relevância mundial que faça sentido tanto na catolicidade da Igreja, quanto na reflexão teológica para o pensamento pós-moderno, sendo cristianismo clássico como Dan Kimball nos ensina no seu livro A Igreja Emergente.

É preciso que a nossa mente esteja saudável para que a mensagem entre de forma correta e mantenha-se límpida para fluir pelas comunidades e pelo mundo.

É possível uma mutação, a forma que irá tomar se acontecer é impossível prever, mas devemos constantemente buscar uma renovação que faça sentido a atualidade e que traga respostas relevantes centradas na verdade que é Cristo sempre presente em diferentes épocas.

Diego Marcell 10-02-11

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Igreja - Missão



"Não existe participação em Cristo sem participação em sua missão no mundo, através da qual a igreja recebe a razão de sua existência."
Concílio Missionário Mundial (Willengen - 1952)

"A comissão recebida pela igreja é sua própria vida e por isso a própria razão de ser da igreja depende de sua submissão à comissão dada por Cristo."
Karl Barth

"Não existe outra igreja que não a igreja enviada ao mundo, e não existe outra missão do que aquela dada à igreja."
Johannes Blauw

"Uma igreja que não é igreja em missão, não é, na verdade, igreja."
Leslie Newbigin

"A igreja só é igreja quando o é para os de fora."
Dietrich Bonhoeffer

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

TRATADO APOSTÓLICO EMERGENTE



Muito tem sido falado neste início de século XXI sobre a necessidade da reinvenção das formas pelas quais a Igreja de Cristo se apresenta. Para tal, surgiram diversas expressões, como desconstrução, nova reforma e ministério relacional. No entanto, considero ser fundamental esboçar algo sobre a necessidade latente de que cada igreja estabelecida assuma o compromisso apostólico de favorecer e incentivar o surgimento de novas igrejas e novos ministérios. Mas para que isto seja realidade, alguns paradigmas precisam ser destruídos.

O primeiro paradigma que precisa ser aniquilado é de que a única maneira de servir a Deus é de acordo com as metodologias e formas existentes dentro de determinado ministério. Generalizações que enquadram aqueles que não se encaixam em modelos funcionais como “os que não são”, são sempre danosas e contrárias à definição de Reino. Um reino não pode subsistir se estiver dividido. Portanto, aqueles que não reconhecem virtudes na diversidade de compreensão do que vem a ser ministério, necessariamente são os que provocam divisões.

A visão equivocada dos que se consideram “novo vinho”, de que é possível ser igreja desconectados do contexto histórico, também surge como um grande problema. Tais “ministérios” são movidos por sentimentos que os levam a serem exatamente iguais aos que criticam. E isto se torna visível à medida que as formas litúrgicas se repetem na negação do modelo (como se houvesse um “mundo bizarro”, onde o novo torna-se exatamente o contrário do velho), ou ainda na dificuldade prática dos “novos” em estabelecerem alianças com quem não lhe traz benefícios (chamo isto de super valorização do “cool”).

A verdade não precisa de reforma. Apenas as motivações e práticas decorrentes é que precisam. Pois o mundo está farto de tentativas de mudanças de rótulo que não implicam em mudança de conteúdo.

“E ninguém deita vinho novo em odres velhos; do contrário, o vinho novo romperá os odres, e perder-se-á o vinho e também os odres; mas deita-se vinho novo em odres novos.” (Marcos 2:22)

Fonte Solomon1

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Quebrando paradigmas


(Por Ed René Kivitz)

Os cristãos não têm mais templos, nem sacerdotes que oferecem sacrifícios a um Deus ultrajado em sua justiça, e não precisam guardar dias sagrados ou observar rituais para a purificação pessoal e veneração a Deus.
O apóstolo Pedro é porta voz da doutrina do Novo Testamento a respeito do culto ao ensinar que aqueles que estão em Cristo são semelhantes a pedras vivas, edificados como casa espiritual, para sacerdócio santo, a fim de que ofereçam sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por meio de Jesus Cristo (1 Pedro 2.5). O único sacrifício espiritual agradável a Deus que um cristão pode oferecer é a sua própria vida: Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional (gr. logiken: genuíno, legítimo, autêntico). Em outras palavras, se a igreja, em Cristo, é templo de pedras vivas, cada cristão é um sacerdote, e sua própria vida, o sacrifício, então o culto ganha outra dimensão.
Este novo conceito de culto traz duas implicações.
A primeira é que “a vida é um culto”, e nesse caso, “quer comais, quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus” (1 Coríntios 10.31). O que costumamos chamar de louvor, com pessoas reunidas para cânticos, é um momento no todo da adoração, e não a totalidade de nossa devoção a Deus.
A segunda implicação é que apresentar a vida como um sacrifício vivo a Deus, necessariamente desemboca no serviço. Russell Shedd diz que “o corpo e a mente não são sacrificados num altar, segundo o modo da antiga aliança, mas incorporados no serviço ativo dentro do corpo de Cristo, a Igreja. Os dons distribuídos pelo Espírito Santo são um sinal claro da aprovação de Deus aos sacrifícios vivos que lhe foram oferecidos”.
Reuniões para louvor e cânticos, muito embora justificadas pelo Novo Testamento, eram, entretanto, um parêntesis na vida de serviço sacerdotal da Igreja no mundo, e não a totalidade de sua dedicação a Deus. Os cristãos não prescindem dos grandes ajuntamentos para louvor e edificação… mas a celebração não encerra a totalidade da vivência da fé, sendo, de fato, apenas uma de suas partes… sendo inclusive muito reducionista do amplo sentido de servir a Deus.
A igreja de Jesus é, portanto, desafiada pelo Novo Testamento, a viver além dos limites do templo, do domingo, do culto e do clero. Muito provavelmente nada disso seja novidade. O problema é que nossa prática eclesiástica não acompanha nossa lucidez teológica... a igreja não se vê mais como um instrumento nas mãos de Deus para “fazer convergir em Cristo todas as coisas, tanto as que estão no céu quanto as que estão na terra” (Efésios 1.10). Isto é, a igreja perde o sentido de missão, pois se o Senhor Jesus quer exercer sua autoridade no universo criado por meio da igreja, ela não pode permanecer intra-muros... O maior desafio pastoral contemporâneo é pegar os cristãos reunidos no templo, no domingo, para o culto onde o clero desempenha sua performance, e despejá-los na segunda-feira para a vivência da fé, onde quer que se encontrem. Deixar que a igreja se compreenda como “comunidade reunida para o culto” é uma completa distorção dos propósitos de Deus.
Irmãos.com
Notas:
Extraído de Quebrando Paradigmas, publicado em setembro de 1995
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Talvez esse seja um dos grandes problemas das igrejas hoje... voltar seus olhos e sua adoração para fora das paredes de um templo qualquer. crentassos

soli Deo Gloria

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A religião-instituto



O homem adora um esquema elaborado de organização, com cargos e departamentos, o homem adora institucionalizar as coisas, é o mal da sociedade moderna, tudo deve ter registro em cartório, tudo deve possuir documentação, hoje até para legalidade espiritual é preciso o juiz assinar. Você só é crente de verdade se tiver a carteirinha de membro da sua igreja com o nome “Diácono Fulano de Tal”, do contrario você ainda é um aspirante a crente.

Porém esses inventores de religiões, estes apóstolos da infantilidade, esses visionários do ventre, devem aprender que isto não tem nada a ver com Religião, não tem nada a ver com qualquer ar Divino aqui na terra.

Jesus foi aquele que desestitucionalizou a religião, pois Ele é a Religião, Ele trouxe vida para onde só havia ritualismo fúnebre, Ele veio mostrar ao homem como se deve viver, e que não há separação dessa vivencia no mundo, nas ruas e nos parques, com a vida religiosa, pois esta não está submissa a templos, mas ela transpira de cada célula no ar. Jesus veio trazer o que na criação foi causa, Jesus veio esclarecer as mentes que foram domadas pelo próprio labirinto charmoso que o homem formulou para sua vida, mas que à dificulta e a separa da realidade.

Não existe distinção de profano e sagrado, tudo é profano e tudo é sagrado, mas aqueles que se dizem povo de Deus fizeram uma separação na vida, se colocaram no lugar de Deus e formaram limites, e decretaram o certo, o errado, o que pode, o que não pode, o que é de Deus e o que não é de Deus. Estão sendo totalmente anti-bíblicos aqueles que andam pra cima e pra baixo com a Bíblia na mão. Porque eles não crêem no poder de Deus, eles crêem em sistemas de indução, em maquinas de programação mental, em medicina alternativa para mudar o espírito, e em uma lista de afazeres para se ter completude de algo que eles não chegam nem perto, porque isso quem faz é Deus, e Ele faz de forma simples, porque quem tem o poder da complexidade sabe que ela é desnecessária na maioria das vezes.

Confesso em que muitos casos eu sou assediado pela idéia organizacional dos homens, e que tenho que me limpar diariamente a cada fim de dia desse pó do sistema corrompido que se lança em nossas mentes, mas que graças ao Soberano, que me traz a memória em alguma casualidade sua palavra pura e simples e é o que me faz dormir em paz a cada noite, lembrando que temos apenas um dia após o outro, e que o Seu Espírito nos guarda e nos traz a paz, a alegria e a certeza pela presença e pela vivencia da verdadeira Religião em nós, que podemos confiar Nele e viver cada segundo sem separar este sentimento do espírito, daquilo que a matéria sente.

Diego Marcell

19-08-10outroapos enas rmir em paz a cada noite, lembrando diariamente a cada fim de dia desse pdo, o que pode, o que nao

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Sobre diversidade




“Minha gente, nós não estamos fazendo propostas radicais, dizendo que toda instituição é maligna, não. Não cremos assim; cremos que ela pode vir a se tornar uma coisa maligna. Também não somos desses como o grupo chamado da ‘Igreja Local’, ou ‘Do Discipulado’, que prega contra o nome denominacional. Para mim é uma irrelevância; não importa o apelido que esteja em cima da testa da sua comunidade. O que importa é a sua capacidade de transitar na sua comunhão com os irmãos; de conviver com eles e aceitá-los.
Eu entendo que há marcas muito fortes do Reino no presbiterianismo, mas não há todas. Nenhum de nós tem todas. Todos nós juntos não temos todas. Por isso, o mínimo que pode acontecer é aprendermos uns com os outros.”

(Caio Fábio em Novos Ministros para uma Nova Realidade, 1987)

Fonte Sandro Baggio

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Um corpo doente




A divergência teológica pode caminhar tranquilamente na comunhão do Corpo quando ela não é a doença do fundamentalismo e da falta de humildade que coloca sua doutrina acima das demais. Neste caso se torna insuportável a convivência com esses irmãos. Se formos dividir o Corpo baseado na divergência teológica, pouquíssima quantidade sobra à unidade. Porém se mesmo assim a consideração for de irmandade, mas prevalecer os conceitos divergentes, não haverá comunhão, paz e alegria, dando subsídios para se iniciar o pecado neste meio.
Por isso que apesar de eu possuir irmãos muito amados, que desejaria de todo coração conviver mais intensamente para dialogar e tomar chimarrão, café ou jantar, mas que infelizmente prefiro manter distancia significativas para evitar sentimentos ruins, pois sua intransigência fica evidente nos primeiros cinco minutos de conversa, já inseridos por posicionamentos proféticos de seus apóstolos preferidos. E quando interpelados pela pura teologia tornam-se austeros nos seus olhares e tons de voz. Por isso prefiro tornar-me um ermitão do mundo crente que gerar inimizades pecaminosas pelo Corpo.
Espero nesta caminhada, encontrar irmãos realmente comandados pelo Espírito em suas mentes, para dialogar sem preconceito como um bom apreciador da vida e da reflexão que Deus me fez, repartir este prazer e este mandamento da comunhão em paz com alguns membros do Corpo, já que em sua totalidade ainda perecemos com algumas espécies de doenças geradas pela falta de atenção espiritual e humana.

Diego Marcell
06-10-10

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Cristianismo e cultura – desde a antiguidade



“se alguém precisa de comida, deixe-o ordenhar a ovelha; se precisa de roupa, deixe-o tosquiá-la; da mesma forma deixe-me usufruir de erudição grega.” (clemente de Alexandria)

“onde quer que haja verdade ela vem de Cristo e pertence a nós.” (Justino mártir)

Na contra-cultura

“eu creio porque é absurdo, o filho de Deus morreu, isso é incrível porque é uma tolice, e Ele foi morto e ressuscitou, isso é certo porque é impossível.” (Tertuliano crazy e psicodélico)

Adorai o Senhor na beleza da sua santidade, tremei diante dele, todas as terras. Dizei entre as nações; reina o Senhor. Ele firmou o mundo para que não se abale e julga os povos com equidade. (Salmo 96:9-10)

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

HISTÓRIA DA IGREJA por Diego Marcell




DIEGO MARCELL FERREIRA MARTINS


A igreja aos poucos, em sua renovação natural pelo processo de vida e morte, acaba perdendo o foco da caminhada objetiva do evangelho de Cristo e alterando o Caminho que é Único para desvios religiosos. A inserção da vontade humana fez a igreja descaracterizar-se varias vezes ao longo da historia, o que também é a causa das reformulações e voltas (ou pelo menos tentativas) ao estado mais puro e natural da Igreja de Deus.
Eu como Igreja, venho percebendo e até certo ponto tornei-me militante a causa da anti-religião; o excesso destas religiões que vem em nome de Deus e assola o mundo, mas que fazem o processo inverso ao que seria de ligar o homem a Deus; pois também trazem consigo uma serie de dogmas e preconceitos puramente humanos que não correspondem a voz divina ao homem particular. Devemos continuar esta historia de maneira pura e sincera, num movimento globalizado, que é o cenário perfeito para Deus concluir Seu plano de extensão da Sua Palavra a todas as tribos, línguas, raças e nações. O Espirito Santo vem capacitando a Igreja de forma nunca antes vista, e já não se vê tanto os nomes de pessoas, movimentos ou grupos, mas simplesmente o nome dEle em anônimos usados por Deus.
Essa ação de desconectar-se da religião é um ponto muito favorável ao ministério e a vida diária do Cristão, pois impede que as pessoas esbarrem em preconceitos já estabelecidos por barreiras construídas no decorrer dos tempos na hora de levar a mensagem de Cristo, um preconceito formado nas pessoas pelas próprias religiões ou “igrejas”, que eu considero apenas instituições religiosas, apesar de dizerem-se cristãs, pois estão dominadas por vontades de homens, quando Cristo que deveria ser o Cabeça.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

HISTÓRIA DA IGREJA




por DIONE FERREIRA MARTINS


O que a história da Igreja nos ensina é que as vezes um cuidado demasiado pela doutrina ou muita ênfase em certos aspectos da própria vida da igreja pode levar as pessoas ao erro.
O tempo é presente. No entanto olhando para trás vemos acontecimentos não muito diferentes de hoje. Em pleno século XXI, ainda existem homens vivendo na idade das trevas, em guerras, incoerências, ignorâncias, numa total cegueira, apesar de toda tecnologia e desenvolvimento.
Quando o homem se afasta do seu Criador, não religião...
Quando o homem não da ouvidos ao Espírito, mesmo tendo conhecimento ele se deixa levar pela soberba da alma, e este apetite desordenado pela satisfação do próprio ser, ou idéias, ou doutrinas, leva homens a escravizar, guerrear, matar em Nome de Deus.
O orgulho está no D.N.A do homem; só a submissão ao Senhor Jesus, para nos livrar do D.N.A rebelde.
Posso então, tomar como exemplo o esforço, a coragem, a determinação dos santos do passado, para cumprir com o ministério que o Senhor me concedeu.
E que da mesma maneira eu possa usa-las na minha vida pessoal.
Que toda glória seja dada ao nosso Deus, por fazermos parte dos homens chamados e escolhidos para a reforma todos os dias.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

A IGREJA E A IGREJA



Religiosidade é puxa-saquismo espiritual, tentar agradar a Deus com obras e condições humanas; roupas, estereótipos, amuletos e coisas exteriores; mas Deus esquadrinha o coração humano, Ele quer pessoas sinceras e não bajuladores.

Você não pode agradar a Deus com sua doutrina, mas Deus pode te dar um coração de carne, se você for sincero. Seja você mesmo, Jesus veio para nos libertar, enquanto a religião foi criada para aprisionar e cegar o homem.

A igreja de Deus é feita de homens de coração quebrantado, de alma sincera e espírito livre; a igreja de Deus não é de tijolos, não tem nome e não foi criada por homens; a igreja de Deus é perceptível no mundo espiritual e não é vista de maneira pejorativa como alguns homens apresentam e desejam que ela seja. A igreja de Deus é movida a fogo, mas o fogo que existe para favorecer a outros, e não um fogo barulhento e de pouco proveito como alguns templos evangélicos apresentam por aí.

A igreja de Deus tem a sabedoria do céu, a riqueza do céu e a grandeza humana do céu; ser humano é divino, pois foi para nós que tudo foi criado, e além de nós sermos a obra-prima de tudo que foi criado, o próprio Deus se fez humano para se colocar em nosso lugar, nos capacitando a aceitação espiritual do plano perfeito do Criador. E Esse Criador, que eu não preciso fazer qualquer apresentação, pois tudo que está dentro da nossa capacidade já foi dito e ainda assim não foi suficiente para defini-Lo, Esse Criador através de um Amor que é Ele próprio, e seu plano perfeito de salvação de que falei anteriormente, foi por este plano que Ele nos deu uma filiação não merecida, mas desejada, fazendo-nos então, detentores de algo maior que toda criação, que é a vida eterna, através de Jesus Cristo, a Personalidade que possui em Seu Nome o poder de mandar e desmandar em qualquer lugar desse infinito cosmo.

Então a conclusão lógica que chegamos: somos mais do que servos, somos amigos dEle, Jesus, cujo nome é o nome mais forte e poderoso em todo e qualquer lugar que existe ou que venha a existir; e nós somos a Igreja, também pode-se traduzir que somos o templo que habita o Espírito Santo, então devemos saber que depois do nosso novo nascimento, passamos a possuir a essência divina que nos capacita a sermos os representantes do céu aqui na terra, mas não para sermos como extra-terrestres de filme de ficção em meio ao povo, mas pelo fato de sermos humanos como eles, nos apresentamos da mesma forma e vivemos a mesma coisa, porem, no mundo espiritual é que temos vestes celestiais e um selo que nos distingui; e isso não tem nada de religião, isso é dádiva; não há imposição, não há barganha e não há sacrifício; mas há graça, liberdade e paz.

COMPLEMENTAÇÃO

Vocês podem estar pensando que estou defendendo um tipo de igreja que tem por aí, que se designa a única correta por não possuírem nome e por aparentemente parecerem com a igreja primitiva. Porem, ao se designarem a forma correta de igreja, elas já segregam o evangelho a elas mesmas. Ao se fecharem em um grupo, já se definem como uma igreja especifica, da mesma forma das que possuem placa, elas não deixam de ser uma denominação só porque se intitulam não-denominação, uma maneira um tanto hipócrita de instituir em nome de Deus uma igreja regida por homens, pois ao seguirem alguns homens e livros específicos, já definem suas próprias doutrinas, e ao negarem toda forma que o evangelho está sendo pregado pelo mundo, já estão julgando pessoas que são realmente usadas por Deus. “Quem comigo não ajunta, espalha” é o melhor exemplo de que a Palavra não tem restrição; e a Bíblia nos da exemplos variados e não idênticos, como estes que estas igrejas querem mostrar.

Como podemos negar as formas tão diferentes e até absurdas que Deus vem usando nestes últimos tempos para alcançar pessoas de todas as tribos, línguas, raças e nações; negar este evangelho pregado de maneira “louca” para loucos, é negar a criatividade e o poder do Espírito Santo que não faz acepção de pessoas, mas ama os de coração puro. Eu vejo a honestidade destes que se apresentam de maneira estranha, de maneira que gera exclusão aos olhos dos homens, mas também vejo a mesquinhez e o orgulho nos corações destes que se apresentam engravatados e detentores da verdade, que usam a Palavra para acusar, para proibir e para esculachar e zombar dos outros, ao invés de aceitar pelo amor de Cristo que por Ele mesmo não julga pelo que nossos olhos avistam.

Dizer que a mulher não pode ensinar, que desta forma ou daquela não pode, que não pode ter pastor, que o Espírito Santo não age desta forma (como se alguém pudesse dizer como o Espírito Santo age) e inúmeras “doutrinas” ensinadas por esta igreja que se considera a não-igreja e ao mesmo tempo a Igreja-Certa. Quem são eles para limitar Deus? E porque de uma hora para outra se levanta num lugar a visão do evangelho verdadeiro? Então Deus dá uma visão de algo tão grande a meia dúzia de filhos?

É para acabar com este papo infantil espiritualmente que invariavelmente nos vem ao encontro constantemente; já que não é igreja que fala comigo, nem homens, mas sim Deus através da sua maior revelação. São os frutos e a forma e a suavidade ou a arrogância dos meios que me provam quando é Deus agindo ou apenas homens que usam Seu nome, e quem da essa e outras diretrizes para descobrir a verdade é a Palavra, ou seja, a própria Verdade.

Repito, a Igreja de Deus não tem nome, nem placa, porque ela é feita de pessoas; é impossível agora querermos transpor isso ao material e querermos destruir os templos e voltar a igreja primitiva; os tempos são outros e se existem igrejas com placas é porque há diferenças de ministérios, e gostos, e vontades, e garanto que na igreja primitiva era igual, por causa da cultura dos lugares e das pessoas que influenciavam na forma de levar ou de ser o ministério, só ainda não havia nome, porque tudo era muito novo, ainda estava sendo formado o cristianismo; nós somos individuais e cada igreja é compatível com um tipo de pessoa, porem o Espírito é o mesmo; o maior erro é sair dizendo que um é melhor ou mais correto que o outro, se está dentro do projeto de Deus esta é a igreja de Deus; mas a Igreja, esta sim é uma e não existe placa, é a Noiva de Cristo, mas esta é compatível no Espírito de Amor e não no corpo perecível, Deus não fez robozinhos, Deus nos fez especialmente únicos.

diego marcell - razões para a nova reforma

quinta-feira, 13 de maio de 2010

O que é igreja?



Segundo John D. Davis no Dicionário da Bíblia: Não é uma organização externa. Os seus membros são conhecidos a Deus, ainda que não possam ser conhecidos com exatidão pela vista humana; muitos deles estão no céu, ou ainda estão por nascer. A igreja visível consiste de todos que professam estar unidos a Cristo.
Leia 1 Co 12. 12,13,27.

Os cultos, os templos, as denominações são manifestações da igreja. Transpor esta manifestação para um único sentido como alguns grupos insistem em fazer, vai contra o ensino de Jesus sobre o seu corpo.
Catalogar seres humanos em grupos sejam eles denominados ou não, registrados ou não, de nada influenciam para o verdadeiro sentido da igreja de Cristo, que é espiritual. Deste modo, tanto a igreja Católica Romana, igrejas Protestantes em geral ou a igreja local (e seus similares) cometem o mesmo erro de interpretação ao interpolar seu argumento seja teórico, “teológico”, institucional ou qualquer outro com relação a verdadeira materialização da igreja na dimensão que vivemos.
Podemos muito bem congregarmo-nos em família, apenas marido e mulher fazendo um culto familiar já que “se dois ou três estiverem em meu nome” é suficiente. É claro que há essa necessidade de compartilhar esta vida e este ideal com os irmãos, isto também pode acontecer no sistema Luterano, Presbiteriano, da Assembléia de Deus, em uma reunião após o expediente em algum lugar publico ou privado, com pessoas previamente avisadas ou por pessoas que de passagem resolveram participar, como outras inúmeras opções de manifestação da igreja, sua comunhão e seu ato de congregar. Pois Deus não é um industrial que exige que você cumpra e bata cartão toda semana no dia determinado pela instituição, mas Ele se importa com o teu andar diário com Ele, sendo que a cada segundo Ele deve estar em sua vida pronto para manifestar-Se a qualquer momento que se for necessário.
Deus não interage com freqüentadores assíduos de templos, mas com corações disponíveis a Sua vontade. Não existem homens, lideres, que “pagaram o preço” para se comunicar e ter um entendimento melhor de Deus, mas qualquer um, leigo que seja, de coração puro, sem influencia de homens ou de idéias de homens, mas o simples que reconhece a soberania de Deus, este, no silencio do seu quarto, na confissão sincera do seu intimo, este terá o melhor entendimento do Pai que qualquer “grande homem” que levou multidões a seguirem suas “revelações” da verdade.
Busque unicamente Jesus, pois Ele prometeu que estes O acharão. E aquele que O encontra, torna-se parte do seu corpo e igreja é.

Diego Marcell

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