segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Opção no viver




O sentido da humanidade gira em torno de um deus, seja ele o que ou quem for, mas nada move o ser humano que não seja um deus que ele optou; que até pela opção da morte é destinada a um deus, suicídio em nome dê.

Os principais deuses que estão em voga hoje são o dinheiro e o ego, ambos refletem uma entidade chamada individualismo, que inspira a adoração nos deuses contemporâneos.

A vida do ser gira em torno do deus que ele optou, a relatividade do conceito de bom e mal em torno dele e ainda mais a doutrina da responsabilidade pessoal é que destinam a vida do adorador. Geralmente estes deuses encaminham as pessoas a vidas sem razão (no sentido de razão e fé distorcidos, sem reflexão) levando e elevando à graduação degradante do ser originalmente racional à irracionalidade, tendo vontades animalescas ou dementes como naturais do cotidiano.

“Não vos espanteis com os sinais do céu, ainda que as nações se espantem com eles. Sim, os costumes dos povos são vaidade, apenas madeira cortada na floresta, obra da mão de um artista com cinzel... São espantalho em campo de pepinos. Não podem falar; devem ser carregados, porque não podem caminhar! Eles todos são ignorantes e insensatos: o ensinamento das vaidades é madeira... então todo homem se torna estúpido, sem compreender, todo ourives se envergonha dos ídolos, porque o que ele fundiu é mentira, não há sopro neles! São vaidade, obra ridícula; no tempo do seu castigo, desaparecerão.” (Jr 10. 2,3,5,8,14,15)
“Que dizem à madeira ‘Tu és meu pai!’, e à pedra: ‘Tu me geraste!’ Porque eles voltam para mim as costas e não a face, mas no tempo da desgraça gritam: ‘Levanta-te! Salva-nos!’ Onde estão os deuses, que fabricaste para ti? Levantem-se eles, se te podem salvar no tempo da tua desgraça! Porque tão numerosos como as tuas cidades são os teus deuses! (Jr 2. 27-28) – cf. Is 44.9-20, Sb 13.

Independente de religião, a própria pode estar apresentando um deus que não é o seu oficial (um exemplo explicito são as igrejas neopentecostais), ou os fiéis de uma religião que adoram inconscientemente um deus diferente do qual professam o nome; todos em todos os lugares estão sujeitos a este fenômeno.

Um conceito pode tornar-se o deus, vejamos o exemplo dos ateus que são considerados os mais ridículos adoradores, ao não crerem em alguma divindade acabam fazendo o seu deus com objetos bem mais absurdos e bizarros.

Para entender melhor o caráter teo/antro/sócio-lógico, vem as perguntas para a reflexão.
Qual o sentido da sua crença? Para onde o seu deus está te levando?
Em 99% das vezes ele está te levando a um caminho turvo, na contramão ou a lugar nenhum.
E a este deus vale a pena você perder sua vida por ele? Você chegaria ao ponto de entregar-se por este ideal? É relevante e racional, além de completá-lo (a) por inteiro? Ele oferece uma carga energética que te faça vibrar regozijado mesmo na adversidade? Se não, então ele é um deus pífio de mais para você segui-lo, já que quando menos se espera ele te suga a alma, e se não houver chão em sua vida, não haverá saída, ainda mais que na maioria é o próprio deus criado este chão.

Não pense que você é alguém que não possui um deus desses, que tem domínio sobre si, pois você mesmo pode ser seu deus enganador que te sujeita suavemente numa liberdade forjada em nome do grilhão.

O objeto é individual e, portanto inumerável para defini-lo, mas a formula que movimenta é a mesma, sobre ela somente, que podemos buscar soluções.

Se o seu deus não morreu por ti, não vale a pena morrer por ele. Note as palavras de Jesus: “Pois aquele que quiser salvar a sua vida, a perderá, mas o que perder sua vida por causa de mim, a encontrará.” (Mt 16.25)
Se o seu deus falha, não vale a pena confiar seu destino a ele.

Pense em quem definiu teu conceito de bom para você aplica-lo em nome da tua responsabilidade pessoal e correr o risco de entregar esta oportunidade de viver, para a sorte de uma entidade que é apenas extensão da sua mentalidade defeituosa e limitada, o que faz do seu deus algo ou alguém menor que você, o adorador e fundador do objeto.

Diego Marcell 07-01-11

domingo, 9 de janeiro de 2011

TERRA DE NINGUÉM



Lugares inóspitos
Terra de ninguém
Terra de sonho
Vai e vem
Onde anda?
Onde se esconderá?
Ladeira e barreira
Que insiste em chamar

My friends
My dreams
Melts repeats
Derrete repete o fim

Vai repetir
Chamar na escada
Cabeleira no vento
Vinho na sacada
Perfume no ar
Roupa rasgada
Onde andará
Cidade sitiada
Walk where
Besieged city
Me assedie
Me xingue

My friends
My dreams
Melts repeats
Reflete o fim

Qual seu fim
Qual seu começo?
Onda andará?
De onde te conheço?
Foge para longe
No meu endereço
Sai no jornal
Diz o seu preço.

Diego Marcell – 09-01-11

A saber



O que fizeram de nós?
Seres inconstantes
Encostados
Incrustados
De um lodo que nos qualifica no mercado popular
Para ser ou estar.
Por que o outro é maior mistério que Tu
Que é invisível?
Como pode alguém se possibilitar a inaptidão?
O que eu faço ante um desumano?
Devo aprender a generalizar?
Ou devo apenas calar-me
As vezes me esconder
As vezes correr desvairadamente sem destino
Pelas viagens lisérgicas da minha mente?
Quando saberei que ali nasce um salmo?
Como guardar aquilo que evapora pelos poros?
E como expor aquilo que está guardado
No porão escuro?
Qual é a hora de nascer?
Qual é a hora de saber?
E qual é a hora de saber qual é a hora?
Devo dividir-me?
Como grego devo separar-me?
Ou como um antigo povo devo unificar-me
Na minha verdade que tu
Me deste?
Devo calar-me?
Se sim, ensina-me.

Diego Marcell 19-06-10

sábado, 8 de janeiro de 2011

O fim dos Mistérios




Enquanto há mistério
Há busca,
Meu medo é que tudo
Que tenha para se revelar
Esteja chegando ao fim.
Preciso do seu fogo
De um amor especial
Meu azeite parece sem gosto
Meu marasmo está ali
Um pouco a frente do frenesi.
Se assim for
Se não for miragem o que vejo,
O que farei amanhã
Se não amo a pobreza?
Se quem eu amo
Ainda não aprendi a ajudar.
Se quem eu amo precisa
Daquilo que não encontro
Em mim.
Como te chamarei
Deus de Mistério?
Deus de trevas
Mesmo revelado
Obscuro.
Será que te vejo onde deveria?
Será que te projeto onde não estás?
Como posso me comunicar
Além-dom?
Pois só conheço meu único dom
E nem tenho certeza
Da sua existência.
Se ainda aquém
Ou muito além
Tira-me da Matrix
E me enche de novos mistérios
Se eles fizerem algum sentido à vida.
Do contrário
Já não sei mais o que pedir
No mistério da minha ignorância.

Diego Marcell 04-01-11

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Proposta do Coletivo

Coletivo
Complexo Arte Livre

Trabalhar em conjunto para a produção artística, intelectual e na produção de eventos culturais; respeitando e utilizando as características de cada integrante para que se completem na produção do todo.
Visar temas contemporâneos, como tecnologia, sustentabilidade e espiritualidade, priorizando o baixo orçamento, com técnicas e soluções alternativas para realizar cada projeto.
Fazer das individualidades encaixes para o mecanismo funcionar; se partindo de uma idéia particular, para os outros serem operários e auxiliares, ou da idéia coletiva que será desenvolvida e executada em conjunto.

PROPOSTA

Trabalhar no auxílio intelectual, psicológico, filosófico e teológico de pessoas que não tiveram oportunidade de refletir sua existência e a existência do que os cercam, por qualquer casualidade que seja. Levar essas pessoas a desenvolverem capacidades degustativas pela vida para tornarem-se bons cidadãos e ajudá-los no autoconhecimento, para fazerem opções que sejam relevantes as suas características genéticas para então criarem atalhos que os façam chegar antes a conclusões sobre suas vidas, entendendo o passado, fazendo o presente para expressar o futuro.

Código sem sal

Me dissolvo por pétalas de veneno alheio
Preso ao cimento quero nascer cinema
E na primavera priorizar a novidade
Quero me encontrar na cidade.

Por ser vintage gosto do teu seio
Me libertando poder tornar poema
Mas quanta angustia na voracidade
Nasce por aquilo que decidi por engano

Mas se um dia nascer diferente
Com ar especial pra plantar estrelas
Esquecer daquilo que suas penas
Queriam ser música e matéria
No além-espaço
Borbulhas de refrigerante
Para tanta gente ofegante
Que me julga na sala escura
De torturas
De agruras
De palavras obscuras
Que passam do itinerário
Quando fujo do dicionário
Ele vem, pecaminoso
Mentiroso
Chora implora
E implode
Um verbete inédito
Como inspiração divina
Na revelação da vida
Que se escreve.

Me assusta.

Diego Marcell 05-01-11

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Nucleo CONTATO

Palestras
Cafés Teológicos
Eventos
Produção de documentários ou ficção
ou pelo simples
Bate papo

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Meia geração


No tempo em que brincavas de poemas
Num fundo azul
Quais eram seus problemas?
Quais eram seus sonhos, já que tudo,
Em tudo se podia brincar,
Como brindar a esta geração.
E para agora
No vazio das baladas repetidas
Fracionadas e inflacionadas de morbidez
Juvenil
Para beber bebidas fortes e caras
Para perder ao encher a cara
Para acordar sem o fundo anil.
Para que se deixar tão rapidamente
Numa marola levar
Na correnteza que te acorrenta numa
Noite sem colorido
Pouco criativo é teu deitar
E repetido teu levantar
Pois já não sonhou outra vez.
Oh morbidez, que te leva ao estudo sem tesão
Que te leva a anestésicos na televisão
Que te leva a futilidades literárias.
Oh refratários, da própria existência
Que perdeu a conecção
Já não tem hard-core
No seu coração.
Oh, mesmo que rasa.
Sua adolescência e amizades
Eram laços de verdade,
Que a vida a matou
Como mito burlesco
Que te esfriou ao vê-lo frio
Estagnado no chão da grande cidade
Má-orientada
Sua entrada, por ruas poluídas, que são possuídas
Por fakes e fantasmas de vidas passadas de infelizes
Acadêmicos, de gente mecanizada pelo sistema
Socialmente aceito em determinados departamentos.
Triste fim este meio.
Vê-los aceitos por aceitarem a própria derrota.
Como uma vitória em nome da média.
Apesar das notas mais altas, vocês nunca passarão
Da pobre e triste média dos depressivos controlados,
Aqueles que não morrem na lama,
Mas que não possuem salvação.
Melhor seria morrerem na lama,
Suas vidas seriam mais dignas, engraçadas e
Fariam mais sentido para estas almas
Que agora adormecem ressequidas em
Corpos programados para exercerem funções
Médias.

Diego Marcell 16-12-10

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Tirinha dos Teólogos #3

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2ª Noite de Degustação de Vinhos entre Amigos

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Oração da Madre

Tu me lembra que sou fraco
Que pereço a cada manhã
Da minha arrogância terrena
Faz lama para me deitar.
Moribundas nossas almas
Prontas a espirar
Sem saber de ti
Sem ter o que pensar
Que não se tenha passado.
Quanto mais perto de ti
Mais distância se sente
Menos certeza, menos coragem,
Mais dor.
Tu que ilumina os homens
Quando estes produzem lagrimas e
Conflitos no interior do ser.
À tua serva
Exemplo do século
Cristo dos pobres.
Deus atualizado no século
Como imagem projetada
Em cada televisor
De Calcutá vem o seu amor.
Tu que a amaste como ao
Próprio filho que se perde para
Salvar o outro, leproso e pobre como se fosse
O próprio Deus.
No abismo os santos se encontram
Para a salvação dos derrotados.
Escolhida como sacrifício
Num tempo diferente
Para contar a outra geração
Do que é capaz.
Teu banquete é aos pobres.
Teu troféu é aos pobres.
Tua imagem é uma pregação ao mundo
Em nome dos pobres e dos perseguidos.
Uma alma é tua vida, e a própria
Quando se perde na solidão e no esquecimento
Da escuridão do túnel
É em nome desta geração
Que te vê sem fé, sem visão.
Tu escolheste como símbolo.
Tu fizeste como programado.
Para o século passado.

Diego Marcell 21-12-10

domingo, 2 de janeiro de 2011

A luz da vela




Parece-me que no Brasil todos ouvem audivelmente a voz de Deus, e mantêm uma relação intima com este ser, todos são conhecedores da sua vontade, todos possuem um ótimo conselho espiritual ao outro que ele julga necessitado.

Se isto é verdade, para que serviram meus estudos teológicos, posso queimar meus livros conceituados e caros, pois é tão superior a sensibilidade espiritual da população sincrética e sem identidade que é a brasileira.

Qualquer “espiritozinho de porco” de quinta categoria que vem disfarçado de anjo de luz de vela é suficiente para parecer Deus diante destes problemáticos mortais, dependentes da fraqueza e necessitados de um bom psicólogo. Mal sabem que ninguém pode ver a Deus. Porém, em Cristo Jesus O enxergamos em carne para aprendermos dele como é viver. Sem estes conceitos meramente sugeridos, precariamente místicos, mas pela atitude do Homem que mostrou ao mundo o que é ser humano. Não se absteve de alimentos porque sabia que podre é aquilo que sai da boca do homem corrompido, não se separou dos pecadores para mostrar que a relação com o Divino só é possível se a tua relação com o próximo for verdadeira. Em tudo que trouxe, foi para a humanidade reaprender a ser. Suficiente foi sua obra, não precisamos de novas revelações, novos iluminados, novos deuses únicos; a obra da humanidade restaurada está no nascimento, vida e morte de Jesus, nascido da virgem, pois foi gerado por Deus, pelo Espírito que se manifesta em toda criação e criatividade teologicamente cristocêntrica.

Me perdoem aqueles que buscam na subjetividade dos oráculos as respostas, ou em sonhos, ou em novas mensagens, a única e perfeita relação da humanidade com o Deus é Jesus Cristo, o próprio que se fez humano para restaurar o que havia sido perdido pelo distanciamento do propósito inicial.

O único homem não gerado pelo homem, é também aquele que é a primícia dos ressuscitados, os outros são meros mortais, pecadores e incapacitados de iluminarem, trazerem algum ineditismo ou salvarem alguém.

Pois místicos sem fundamento teológico o Brasil está cheio. Mas a mística quando vem de Deus não contradiz sua mensagem central, nem foge à razão.


Diego Marcell 02-01-11

sábado, 1 de janeiro de 2011

Palhaço Pipoca - acampeteatro 2010



Momentâneo


A vida
Esse momento tão efêmero
Na fotografia.
Essa criança que já cresceu
Mas ficou, mesmo desconhecida
Quando passou pela retina.
Noite de verão
Com luzes piscando
Gente andando
Sem saber que vive.
Tudo tão simplesmente
Sem sentido.
Correndo parado
No momento que já não existe.
Coisa foi.
O que é a coisa nesse movimento
Quando tudo acaba
Para quem só é sentimento?
Vida que escrevo não existe
Só quando escrevo.
Vida que sente quem lê na sua mente
Algo que vem do desejo.
Só vontade.
Só vento.
Quando tudo acaba já nada aconteceu.
Pois só acontece o que se sente.
Até o ontem é hoje para aquele que chora.
Até o amanhã é hoje para o desesperado.
Mas só o hoje é hoje para o que ri.

Diego Marcell 23-12-10

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