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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Dez coisas que aprendi [errado] sobre Deus com os pastores da TV


Já sou um tanto antigo nessa coisa de TV e ano que vem completo a maioridade etária nessa coisa de religião. Sou de um tempo em que as manhãs de sábado tinham Jimmy Swagartt na antiga TV Bandeirantes (Band vem daí, novinhos) e Caio Fábio aparecia vez ou outra na Globo (sonho de consumo e masturbação egoica do Silas atualmente). Vi os primeiros programas do Edir ainda cabeludo e tenho até saudades do tempo em que o Malafaia usava bigode.

De lá pra cá, adultérios e escândalos à parte, muita coisa mudou. O que era pouco se acabou… Opa, música errada. O que era doce azedou. A Band hoje tem dúzias de pastores em sua programação, a Globo resolveu não se misturar mais com essa gentalha, a Record foi comprada pela veterotestamentária IURD e, como grana pouca é esmola, vieram a Record News e várias estações de rádio. Por falar em gentalha, o SBT continua firme e forte (tá, nem tão firme assim), resistindo à investida dos milhões feitos de tostões.

Bom, mas não é esse o mote aqui. Quero compartilhar dez coisas que aprendi ao longo dos anos sobre Deus com os pastores televisivos. Vamos lá:

1. Deus é bipolar
Pra não dizer esquizofrênico, digo que aprendi que Deus é bipolar. Afinal, cada um dos quinze televangelistas (os que consegui me lembrar enquanto escrevo) diz que Deus é, pensa e age de um jeito diferente. Uma hora Deus é amoroso e perdoador, na mesma hora, mas em canal diferente, Deus é irado e pronto a nos destruir com requintes de crueldade. Um diz que ele só quer o coração, outro diz que “é tudo ou nada”, ou melhor, com Deus “ou dá ou desce”. Como sei que nenhum deles mente ou fala do que não conhece, a conclusão óbvia é que todos estão certos e, portanto, Deus é, digamos, bipolar. Isso sem contar no discurso dúbio de “graça e alegria” pro pecador e “choro e ranger de dentes” pro já converso.

2. Jesus é masoquista
Juro que já ouvi “Jesus exultou de alegria naquela cruz” e “Jesus ansiava pela crucificação”. Até entendo o que Max Lucado diz quando fala que “Ele escolheu os cravos”, mas a quantidade de descrições adjetivadas e minuciosas sobre os sofrimentos de Jesus me dão a certeza de que os pastores acreditam que Jesus gostava de sofrer.

3. Deus já foi de direita, hoje é de esquerda
Na verdade, o que tenho visto ao longo dos anos é que Deus é governista, sempre, de forma irrevogável (oi, Mercadante). Os pastores dizem que devemos orar pelas autoridades (o que é bíblico), mas o que mostram é que Deus gosta mesmo é de um poderzinho temporal. Poucas vezes vi um pastor televisivo reclamando do desmazelo e ineficiência dos governos. Antes, mostram sempre seus melhores ângulos quando suas igrejas são visitadas pelos políticos. Será que rola um cabide de empregos celestial? Acho que sim, pois em toda denominação televisionada, Deus tem seus candidatos escolhidos e maldições prontas pros rebeldes que ousarem desafiar a lei do “irmão vota em irmão”.

4. Deus não inventou as borboletas
Coitadas, criaturas infernais, crias de Belzebu. Sim, numa dessas matinês vi um pastor explicando como a Nova Era estava usando a Disney para nos encher de mensagens subliminares (que de tão óbvias penso serem sublinhadas) e nos enfeitiçar. Prova de que os desenhos animados trazem a mensagem do capiroto? Sempre há uma borboleta voando quando o personagem corre perigo. Tadinho do Bambi, que além de órfão virou um ser possesso por uma pomba-gira. E o Corujito? Então, não se esqueçam: borboletas são bichinhos do mal.

5. Deus gosta duma muvuca
Deus é um cara popular, digo mais, popularesco. O Céu deve parecer o Programa do Ratinho nos velhos tempos. A julgar pelos cultos transmitidos, em especial os de extors…, digo, exorcismo, Deus não gosta daquela coisa certinha, ordeira e calma. O pau quebra e o barraco treme quando Deus está presente, foi o que aprendi com a pastorada da TV. Desde os tempos de Davi Miranda que sabemos que o barulho é porque Deus está operando (e sem anestesia).

6. Deus é surdo
Seria essa uma redundância com o item acima? Acho que não. Mas deixe-me corrigir: Deus é deficiente auditivo (em tempos de politicamente correto, sabe como é, né?). Ocorre que aprendi ao longo de quase duas décadas que é preciso falar alto, repetir mais alto e, por último gritar com Deus para que ele ouça nossos pedidos. Sempre que ouvir a deixa “com mais fé, irmão” é porque naquele dia a coisa tá difícil de chegar aos ouvidos divinos. Encha os pulmões e tente a sorte.

7. Deus é chantagista
Triste constatação. Mas não tem jeito. Aprendi muito bem explicadinho que Deus dá piti, toma presentes, fica de mal, emburra e, às vezes, até promete ir embora e levar a família com ele, nos deixando na sarjeta da solidão, na rua da amargura, na porta do inferno abraçados com o capeta. Tudo isso se não cumprirmos cada um dos caprichos divinos que os pastores gente fina fizeram o favor de catalogar e nos repassar pra não ficarmos mal na fita com o Poderoso. Coisa parecida com as avós que dizem horrores se não formos todo domingo almoçar na casa delas.

8. Deus tem problemas em manter sua santidade
Das coisas que aprendi com a pastorada da TV, talvez essa seja a que mais me confundiu de início. Segundo vi e ouvi em anos de programação evangélica, Deus é santo, muito santo, santíssimo. Ok, é bíblico. Até Jesus confirmou isso. Mas essa santidade toda dá um trabalhão. É uma mania de limpeza sem fim. É coisa de limpar as vestes toda semana, a preocupação dos pastores em lavar os pés do povo da igreja em água com colônia de rosas, em vestir um manto sagrado, em se enxugar numa toalhinha abençoada, até em por uma touquinha na cabeça já falam. É como se santidade fosse saúde, mas pra se manter saudável, Deus não permitisse que chegássemos perto antes de tirar todos os germes da roupa, da pele e dos sapatos.

9. Deus gosta mais dos caçulas
Diz Jesus que Deus é pai, mas os pastores me ensinaram a verdade: Deus é avô. E tem predileção pelos caçulas, pelos novinhos (sem menção à pedofilia aqui, faça o favor). Ocorre que Deus vai perdendo a graça com os assuntos mais antigos, dos pastores e cristãos mais velhos. Deus gosta é de novidades, dos assuntos do momento. Pra que hinos e canções, se a onda agora é louvorzão e baladas gospel? “Deus é jovem” ouvi uma bispa dizer antes de ser presa com dólares na ca…pa da Bíblia. “Deus é dez”, “Deus é da hora”, “Deus é irado” (se bem que faz sentido se lembrarmos que Deus é bipolar) são coisas que aprendi vendo os programas televisivos mais animadinhos. Sem contar que Deus agora tá numa onda de grupinhos que precisa ver. No meu tempo, era panelinha, mas tudo bem.

10. Deus gosta mesmo é da minha grana
Por fim, algo que me decepcionou em Deus, mas que agradeço aos pastores da TV pela sinceridade com que tratam o assunto: Deus é interesseiro. Lendo sobre Jesus no Novo Testamento, cheguei a ter uma primeira impressão legal de Deus sobre esse aspecto. Mas logo os pastores me contaram a verdade. Se eu quiser alguma coisa com Deus, o jeito mais fácil é molhar a mão do ser divino. Tenho minhas dúvidas agora com o lance de “dono do ouro e da prata”, mas vá saber. Sei que pastor não mente, portanto a coisa a se fazer para conseguir algo de Deus é pagar. Há pastores mais modestos que operam nos 10% regulamentares, mas há alguns que por um pouco (ou muito) a mais conseguem agilizar a bênção. Há taxas específicas, como os R$ 900,00 para a casa própria ou os 30% pra Deus abrir as portas. Mas algumas regalias e favores divinos só funcionam na base do tudo ou nada. Esteja (com o talão de cheques) preparado.

Não sei bem o que fazer com tudo isso que aprendi sobre Deus com os pastores da TV. Alguma dica?

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Quase embarquei na de vocês




Quase embarquei na falsa diplomacia formulada para sua biografia, item banalizado pelo mundo gospel, por seus espertalhões “apóstolos”, fundadores de reinos, detentores de visões, fetichistas da institucionalização do espiritual, com seus itens, regras, doutrinas com artigos mirabolantes e criativos. Arrebatadores de povos, findadores de opiniões; quase embarquei neste fetiche carnal, de sacralização do material. Vestes, liturgias, adereços, climas e cores de igreijolas futuristas, escatológicas, proféticas, mas tão carnais quanto a associação de clubes.

Quase embarquei nesta viajem ilusória do sentimento humano da auto-promoção, da fabricação de diplomas, da criação de estórias, da condecoração de fundo de quintal. Apóstolos da eu, profetas da carne, missionários do ego, até onde vão acreditando nas próprias mentiras? Para onde isso tudo os levará?

Nos discursos são ecumênicos, todos são irmãos, mas na prática são construtores de paredes, paredes grossas feitas de pedras medievais. Separatistas do sentimento, realizadores da desunião.

Tenho que agradecer a Deus por me livrar deste meio, não sejam como eu, sejam como vocês, mas sejam como a vontade de Deus para vocês. Sem essa de visão, pois dessa forma a única visão dominante é a de que cada um possui um Deus diferente do outro. Cada Deus uma visão, cada Deus uma igreja, cada Deus um apóstolo, cada Deus um reino. E se assim é, os deuses de vocês não se parecem com o meu, pois o meu é de unidade, é imaterial e de aceitação. Isso não é produzido por regra de eclesiologia humana, mas por pratica de vida e amor.

Diego Marcell
07-10-10

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Espírito de Pastor




Me enviaram por e-mail o texto abaixo, escrito pelo Caio Fábio. Trata-se de uma boa reflexão e exortação sobre o tema do ministério pastoral. No Projeto 242 temos seguido por esse caminho de desmistificação de cargos e funções desde o início. Às vezes, aparece entre nós pessoas possessas por esse “espírito pastoral”, mas logo percebem que vieram ao lugar errado e partem em busca de outros pastos menos avisados.

*******

“Pastoreai o Rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho.”
Na Primeira Carta de S. Pedro 5:2-3

Um depoimento e um conselho

Há uma coisa que deveria ser pejorativamente chamada de “espírito de pastor”, e essa tal coisa é uma casta existencial difícil de deixar a gente.
O fato é que há muita gente “possessa desse espírito”, o qual tira da pessoa a possibilidade de ser ela mesma, fazendo dela um clone psicológico de um modo de sentir completamente artificial, e sem espontaneidade humana com os outros e com a própria pessoa.
Eu só tinha 18 anos e meio, e era apenas um menino amante de Jesus. Pregava em toda parte. Não queria ser pastor e nem ordenado. Desejava apenas pregar, e pregava. Aos 21 anos, me ordenaram, mesmo sem que eu tenha aceitado as imposições da denominação para ordenar ministros.
Então, logo começaram a me chamar de “Reverendo”. Aquele garoto livre, agora, de súbito, da noite para o dia, era o “Reverendo Caio”. Aí o tratamento passa a mudar: O melhor lugar na casa, na mesa, na sala, no salão, no aniversário, no funeral, nas festas de casamento, nas bodas, etc. As pessoas começam a ver o “sacerdote”, o homem diferente dos homens, o santo, o ungido do Senhor, o anjo da igreja…; e também se percebe que as pessoas mudam com você; mas raramente se percebe que depois de um tempo, muito suave e lentamente, você também aceita a mudança que fizeram acerca de você. Ora, é aí que nasce o “espírito de pastor”!
Então, começa a transformação do ser humano numa figura totêmica, um totem erguido para a manutenção de tudo: Ele é santo pelos outros; é puro pelos demais; é quem não se diverte pelos que se divertem; é quem não fica doente para poder curar; é quem “estuda Deus” e “entende de Deus”, a fim de poder explicar; e é quem é exemplo para se fazer clones comunitários. Se ele não casa os que se casam, eles se ressentem e magoam. Se ele está viajando quando alguém morre, ele abandonou o moribundo. Se ele está de férias, a igreja pode esvaziar. Ou seja: sem ele, nada do que foi feito de fez ou se faz! Vivendo sob tais responsabilidades e honras, o indivíduo vai virando pajé e não sente. Ou, em muitas ocasiões, passa a gostar mesmo de ser essa figura totemizada para a “igreja”.
Ora, é nesta necessidade que o povo tem de ter “sacerdotes” e “figuras cultuadas”, que tanto os bem intencionados se corrompem entregando-se ao “espírito de pastor”; como também os lobos se aproveitam e tiram as carnes do rebanho.
De fato, os ministérios pastoral, episcopal, apostólico ou de qualquer outra natureza já carregam em si próprios o germe do poder desse imantamento espiritual. As pessoas olham para qualquer desses “seres” — “ungidos” formalmente para tais posições —, como “ungidos do Senhor”; aqueles contra os quais não se pode ter uma opinião, pois, em assim sendo, Deus mesmo punirá os “rebeldes”, ou “hereges”, ou “desviados”. Imagine quanto poder isto significa! Ali está um homem que é visto como “o homem de Deus” no meio dos demais homens “normais”, e, de tal projeção, pode nascer apenas o “pastor clerical”, como também pode vingar qualquer maluquice!
Eu tenho por certo que todos os modos de clericalismo são malignos em relação à saúde do indivíduo que carrega o peso cultural dessa “posição”.
E a comunidade também fica adoecida! Sim, porque enquanto ela vê o líder com tais olhos, ela não cresce; ao contrário, se infantiliza; e jamais aprende a andar com as próprias pernas.
Ora, o verdadeiro pastor cuida, não domina; ajuda, não controla; alimenta, não explora; só se faz notado em caso absolutamente necessário; e deixa a porta aberta, de tal modo que todos entram e saem e acham pastagem.
A analogia do Bom Pastor em João 10, todavia, é perfeita no seu todo apenas em relação a Jesus, e a mais ninguém. Isto porque em relação a Jesus todos nós somos apenas ovelhas do rebanho.
Porém, em relação a nenhum “outro pastor”, nós devemos ser “ovelhas do rebanho”; posto que ser ovelha de Jesus já nos põe na condição de só ouvir a voz de um homem se ela for de acordo com a Voz do Único Pastor; do contrário, a ordem de Jesus é para não “seguir a voz do estranho”, pois somos o Rebanho de Deus.
Portanto, o verdadeiro pastor de homens é apenas mais um do rebanho único, sendo somente uma ovelha que já se deixou ensinar um pouco mais pela voz do Único Pastor. É na Sua fidelidade e reconhecimento à Voz do Pastor que ele se qualifica para ser pastor entre ovelhas, pois, conforme Pedro, ele se torna “modelo do rebanho”.
Assim, é o caminho da ovelha seguindo o Pastor, o que a torna uma ovelha-pastor; visto que seu passo e obediência estabelecem referência para as demais.
O problema é que alguns “pastores” e clérigos pensam que são os “Jesuses” da comunidade; e, diferentemente de Jesus, transformam-se nos lobos que não amam as ovelhas, mas apenas os privilégios e poderes que delas “arrancam”.
E como agravante, a “igreja”, por ser pagã ainda em sua essência, precisa desses “pastores tiranos”, pois, como associam a “figura clerical” ao “representante de Deus”, sentem-se objeticamente mais seguras se têm um déspota dizendo o que fazer, o que não fazer, com quem casar ou não, e quem é quem.
“Não é assim entre vós!”— disse Jesus!
Foi por esta razão que Jesus tirou as roupas de cima e se cingiu de uma toalha e passou a lavar os pés dos discípulos. Sim, porque liderar é, sobretudo, poder lavar pés e servir em nudez.
Na realidade, além de tudo o que o gesto de Jesus ensina, nele também vemos o modelo existencial do significado da liderança: O líder serve em revelação de sua humanidade. E os liderados são servidos aceitando a humanidade de quem lidera servindo de modo humano. E Jesus disse a Pedro que ou seria assim, ou Pedro não teria parte com Ele!
Somente quando os líderes tiverem a coragem de fazer como Paulo e Barnabé, que rasgaram as roupas e expuseram sua nudez quando foram chamados de “deuses”, é que aqueles que crerem no que as lideranças disserem, não ficarão ainda mais adoecidos de idolatria.
Hoje se dá o contrário da experiência dos apóstolos: a maioria dos líderes faz todo o possível para passar por deuses; e, o povo, vai se ameninando na fé, apenas trocando de “pai-de-santo”, ou de pajé ou de sacerdote; porém existindo sob a escravidão da espiritualidade da idolatria; adorando e servindo a criatura, mesmo que se vistam de pastores, bispos ou apóstolos.
No Caminho nós temos buscado diante de Deus e conforme o Evangelho, quebrar todos esses paradigmas totêmicos. Sugiro que todos, em todo lugar, e com todo bom coração, assim o façam também, em nome de Jesus, o Bom Pastor!

por Caio Fábio

fonte Rev. Sandro Baggio

domingo, 5 de setembro de 2010

Uma triste historia




A história bíblica revela que sempre que o sistema se corrompe Deus então levanta profetas. É o caso dos profetas do antigo testamento, mas também é o que vemos na história da igreja cristã.
Por 3 anos fui membro de uma igreja em minha cidade, que passou por bons momentos quase avivalistas, ou pelo menos era a impressão que deixava; é óbvio que estava carregada de teologia da prosperidade, algo que nem conhecíamos na época, mas que vivíamos com naturalidade. A igreja do evangelho quadrangular não é uma igreja neo-pentecostal de origem, mas adquiriu totalmente as praticas da nova “teologia”, além de ser uma igreja altamente política, pois seus congressos são carregados de mensagens de defesa da instituição e de seus representantes nas áreas do governo, tanto municipais, estaduais e até nacionais.
Numa das famigeradas vigílias de sexta-feira, cheia de teatralidades espirituais, eu senti um extremo cansaço daquela liturgia forçada e fiz uma oração muito sincera dizendo que eu não queria mais saber de nada que viesse dos homens, mas que desejaria que fosse feita somente a vontade do Senhor. Compreendo hoje como uma oração instigada pelo próprio Espírito de Deus. Estavam todos como de costume na segunda metade da vigília, perto do altar de mãos dadas, ou em “manifestações variadas”, e eu sentado no banco, quando o pastor olha para mim e me chama, e manda um recado em nome de Deus, que eu sinto claramente como resposta a minha oração, (não acho que deva ser necessário expor aqui o que me foi dito, e creio sim que Deus usa quem Ele quer para falar, mesmo pessoas espiritualmente corrompidas).
Fui então para um famoso congresso da quadrangular, repleto de falsos profetas e políticos, algumas mensagens na época me agradaram, outras não; da igreja que freqüentávamos fomos apenas nós da minha família. O congresso era tão político que levaram o governador para dar uma “palavrinha”, e para não perder a chance num congresso com mais de 3000 pessoas lembrou a todos os presentes da “preciosa virgem Maria” em pleno congresso quadrangular.
Voltando de viagem, direto para as obrigadas reuniões de lideres de células (que eu participava apesar de ainda não ter me empolgado de freqüentar nenhuma célula, já que dês daquela época já não me agradavam todas aquelas regras e limites estipulados pelo sistema), senti uma leve soberba no ar e percebi que algo estranho estava acontecendo.
Para esclarecer, este pastor sempre foi muito gentil conosco, nunca nos agrediu com palavras, diferentemente de como fazia com 50% da igreja. Porém também raramente foi tomar um café em nosso lar, mesmo quando convidado. Quando aparecia no meu recinto de trabalho para tirar alguma cópia ou pedir algum dinheiro para pagar a conta de luz, sempre fugia rapidinho quando eu começava a fazer perguntas de cunho teológico que o deixava sem saída e sem resposta. Eu poderia fazer um capitulo dedicado somente a sua pessoa, mas não é meu objetivo, então vou prosseguir com o relato.
Eu e alguns irmãos tínhamos a idéia de montar um grupo para trabalhar com evangelismo, mas com reuniões fora da igreja, com uma proposta diferente. Algo mais intimista e reflexivo, para gerar uma comunhão verdadeira, já que no sistema atual da igreja isso é impossível. Fizemos umas 5 reuniões, avisamos o pastor, ele supostamente gostou da idéia, tanto que o mantivéssemos por dentro de tudo. Mas nesta época já havia algo estranho se manifestando, algumas mudanças no louvor, umas rixazinhas surgindo, um irmão recém chegado sendo escalado para cargos que não tinham nada a ver com ele, alguns jovens chegando à igreja, que logo foram assumindo um dos louvores... alguns mal entendimentos de comunicação de um irmão que infelizmente entrou de gaiato na história, começou a desencadear lentamente uma decadência. Mas tudo isso eram apenas sintomas de uma doença muito grave que já vinha se manifestando naquele corpo, só que ainda ninguém tinha conhecimento.
Fim de ano, muita gente já se mostrava infeliz com algumas atitudes do pastor. Muitos sinais revelam a má administração da vida de alguém que não pastoreia nem a própria casa, e que dessa forma não pode pastorear uma igreja. Não vou entrar no quesito da vida particular, posso apenas dizer que é uma vida familiar desregrada em todos os aspectos, e quando eu digo todos, são todos.
Junto daquela turma de jovens que agora faziam parte do louvor, um rapaz amigo deles começou a freqüentar os cultos, me informaram que o rapaz e sua família são de alguma seita ocultista, e eu notava que todo culto que o pastor fazia apelos para aceitar Jesus ele nunca ia para frente, mesmo incentivado pelos amigos. Também falavam que estes jovens passavam as noites jogando baralho, bebendo e fumando, se é verdade, nunca fui convidado para uma noitada destas para saber.
No mês de janeiro o pastor trouxe um pastor argentino que já havia vindo no ano anterior fazer umas campanhas, desta vez o pastor da igreja deixou o argentino em seu lugar para tirar umas férias.
O clima da igreja era muito estranho, além de mim havia uma turma achando que o pastor deveria ser mais humilde, coisa que ele já não vinha sendo a algum tempo, dês de quando começou a fazer faculdade de Direito, porém nos últimos meses sua posição estava insuportável, além do alto índice de ofertas aclamadas para a igreja. Existem muitos boatos em volta da questão financeira da igreja, mas como eu não posso provar nada, não vou entrar no assunto.
Eu já estava a algum tempo de saco cheio daquela igreja, ia esporadicamente aos cultos, o pastor argentino já havia feito uns 5 cultos mais ou menos quando resolvi ir ver o que estava acontecendo. Um frenesi enlouquecido, isso que eu presenciei, aspirantes a obreiros se maravilhavam com o profeta argentino, proferindo palavras sabias em portunhol, os olhos brilhavam; para mim, nada de anormal. Vinham me contar de promessas de restauração, que o argentino ia conversar seriamente com o pastor, que era necessário um concerto na igreja, e todos se deliciavam com o estrangeiro.
Chegando de viagem a bomba explode, muita coisa foi falada, muitas versões foram proferidas, algumas me parecem ter mais credibilidade que outras. A partir de uma suposta conversa com o argentino, o pastor não aceita as repreensões e o expulsa, a partir daquele momento começa uma interminável sequencia de cultos dedicados a denegrir e amaldiçoar o referido gringo, alguns dos dizimistas mais fortes da igreja vão embora, o pastor diz que o argentino está abrindo uma igreja, que induziu tudo, que capitaneou os mais abastados para si, para sua nova igreja... e coisas deste tipo para piores, exaustivamente ele repetia essas mentiras até que se tornassem verdade na cabeça dos que ficaram, e eu comecei a freqüentar mais seguidamente para ver se um dia acabava aquele papo todo, ele mesmo num dos cultos prometeu a mim que no próximo não falaria mais, mas não adiantou, na quinta, no domingo, lá estava ele mandando a igreja mandar maldições para a argentina, para a casa, a igreja e a vida do pastor de lá. Até que eu me cansei da palhaçada, vi que só ia piorar e abandonei de vez. Soube que continuou saindo gente, sempre os sérios, e até a data de hoje, quase oito meses depois, continua saindo gente daquele lugar. Mas o ponto que eu queria chegar está próximo.
Sempre que o sistema se corrompe, Deus levanta profetas.
Dizem que num dos cultos do pastor argentino (que eu não estava presente) ele disse a seguinte frase: “eu sou profeta, o pastor de vocês não.” Para quem prestou atenção pode ter ficado ressabiado com esta afirmação, eu quando soube, não fiquei.
Então no auge da sua estada no Brasil, ele que já havia deixado passar uma profecia na vez anterior; nesta vez dizia ele que queria esperar o pastor titular, mas no ultimo dia decidiu falar. Ele disse que havia um pacto de maçonaria no altar da igreja e que se não tomassem providencia em breve ela iria ruir. Claro que não foi na velocidade que o profeta pensava, mas na minha visão de como tudo se encaminha, a mensagem é verdadeira. Muitas outras visões anteriores pendiam para uma reparação de pequenos erros, mas aquele que anda no erro não vê o seu pecado; lembro-me de uma visão de alguém que mostrava a mão do pastor sem um anel, e o bizarro foi a interpretação do pastor de que era a mão de Deus que estava sobre a dele, por isso o anel não aparecia.
Os que temiam a Deus, o próprio Senhor os tirou da igreja, muitos de forma forçada, outros com naturalidade, levou cada um aonde Ele achava melhor, uns estão em transição, outros já estão fixados, mas evidentemente Deus está agindo. Os seres manipuláveis, a massa que vai para “receber bênçãos” continua lá dizendo “amém” a qualquer bobagem que o pastor profere, achando que aquilo é evangelho, que toda distorção que ele prega é a verdade e que o mundo fora daquelas paredes construídas pelo esforço daqueles que já não estão lá é que estão errados.
Um tempo depois descobri que além daquele menino que diziam ser do ocultismo ele também era membro do Demolay, e agora estava tocando no altar da igreja e um pouco depois assumiu o namoro com uma das filhas do pastor. Proteção total sobre o jovem satanista.
Lembro-me de uns dias antes de eu abandonar de vez aquela instituição, do pastor falar que o menino de quem estamos falando em uma vigília havia falado em línguas hebraicas, algo que jamais vi referencia na bíblia como se fosse algo espiritual, e como o pastor sabia que era hebraico? Bem que poderia ser aramaico, o que me lembrou os livros do Daniel Mastral, das vezes que ele lançava maldições em aramaico e os lideres religiosos ficavam admirados pensando que ele falava em línguas pelo poder do Espírito Santo.
Fato é que através de algumas falhas de caráter, pouca vigilância espiritual, e muita ignorância, arrogância e egocentrismo o mal entrou e implantou seu veneno, cegou dês do líder até as pobres ovelhas, a loucura está tomando conta de tudo e nem um pouco da obra de Deus está fazendo morada ali. Deus levantou um profeta, porém os falsos profetas que só profetizam bênçãos não quiseram nem saber e estão pensando apenas na prosperidade da teologia que impera na atualidade. Sugando a alma dos pobres, e matando o espírito das crianças com o sistema de células.
Conheço um rapaz que entrou na igreja em sua pior fase dês da sua fundação naquele bairro, fraco espiritualmente ele foi gravemente afetado pelas influencias malignas que regem aquele ambiente, hoje ele sofre de depressão, apresenta sintomas de desequilíbrio psicológico e não há cobertura alguma que o possa ajudar. Até uma psicóloga mulher de pastor o atendeu algumas vezes, este casal possui certo laço com o pastor que estamos abordando, porém esta psicóloga mandou o rapaz tomar remédios para depressão, pois disse que pode ser falta de alguma substancia no organismo dele. Temo que ela tenha sido atingida pelas forças malignas e pelo menos neste ambiente tenha sido cegada também. Se antes de entrar na igreja ele era um rapaz ligado e alegre, porque agora é falta de substancia no organismo? Claramente ele está sendo afetado por opressão maligna e não por um mero problema clinico.
Estou escrevendo isso apenas por um desabafo diante da falta de visão dos evangélicos frente ao mundo espiritual, pois me sinto muito triste em ver pessoas sendo corroídas por falhas humanas que apesar de falarem em nome de Deus não apresentam nem o mínimo necessário para testemunhar o que professam. Quando o poder recai sobre quem não possui estrutura para comandar um sistema frágil, e pronto a se corromper que é a instituição religiosa.
Este é um relato real de apenas uma igrejinha de uma cidade pequena, mas é um exemplo tanto para vermos que Deus levanta profetas quando necessário, quanto para vermos que a maioria não ouve os profetas de Deus quando eles falam, pois geralmente falam o que ninguém quer ouvir, diferente destes profetas que o Malafaia vem trazendo para o Brasil, que profetizam heresias, creio que o profeta argentino foi enviado por Deus.

Diego Marcell – 10/08/10

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